Ainda a propósito de piratas, galeões e tesouros subaquáticos, fiquei fascinada com uma reportagem que li no verão na NG sobre o galeão francês "Fougueux". Este galeão naufragou, após a batalha de Trafalgar, no século XVII, nas águas de cádiz. E segundo reza a história foi mesmo em frente à praia de camposoto, e é objecto de estudo de vários arqueólogos subaquáticos (que trabalho tão motivante!).
Este ano como terei de usar mesmo a imaginação, na falta "daquilo com que se compram os melões" vou mesmo aqui ao lado, a espanha para visitar nuestros hermanos, (nada de gastar dinheiro em Portugal!).
Aproveito para conhecer as praias de camposoto e tarifa, mesmo aqui ao lado...
Ora aqui está uma boa ideia para aproveitar o nossos recurso marítimos, o problema é que nenhum banqueiro empresta $ a uma empresa portuguesa para comprar a maquineta.
E se o Ministério da Defesa Nacional usasse os submarinos...huuummm não servem para isto??? E se servissem será que alguém teria coragem, no contexto actual, de acusar o estado português de nacionalização de uma área lucrativa e que só pode ser propriedade empresarial???
E para quem tiver interesse a vila morena já está a trabalhar nas prospeções.
Com as razões que levam as pessoas a cometer suicídio, principalmente quando o ato envolve um suposto par amoroso.
E não, não vou ler outra vez "O Suícidio" de Durkheim, já basta uma vez e por obrigação. E por razões óbvias e científicas (positivas) o Sr. Durkheim não falava do amor (negativo) como causa do suicídio.
Eu também não acredito que o amor, em abstrato, seja uma das razões que leve ao suicídio,
especialmente aquele amor shakespeariano de Romeu e Julieta. É irónico, mas fascina-me pouco a história de Romeu e Julieta, deve ser um trauma, admito, mas aquele amor é uma grande farsa!
Pode ter sido inovador escrever uma história sobre a liberdade de amar para além das convenções sociais, mas como tudo acaba num amor proibido e numa tragédia inútil, não tem interesse, pelo menos para mim.
Se nem testaram a relação como sabiam que se amavam? só mesmo loucamente, enfim!
Mas o amor verdadeiro é aquele vivido e amadurecido, o amor que importa conhecer e compreender, por isso vou dedicar algum tempo a ler "Lettre a D. Histoire d'un amour" de André Gorz. Será mesmo algum tempo porque só encontrei em francês, mas valerá o esforço, porque até encontrar já foi uma aventura.
Este ano novo não traz à partida muitos sonhos novos, infelizmente!
Quando muito algumas esperanças e desejos renovados!
É sempre bom renovarmos alguns dos nossos projetos pessoais, daqueles que têm muito pouco de passado e de futuro, daqueles que nada têm a ver com os nossos objetivos profissionais, dos que nem sabemos bem porquê?
Esse sonho que não é mais do que a necessidade de sairmos do nosso mundo, sempre tão nosso e quantas vezes tão pequeno, necessidade de conhecermos e acolhermos outros mundos.
Enfim, evasão será claramente insuficiente para definir o potencial transformador das viagens.
Se não for ao Congo nos próximos tempos, por razões de segurança, posso sempre ir sonhando com Madagáscar. Nem percebo porquê mas estou fascinada com tudo o que já li sobre esta ilha, além dos parques naturais, dos embondeiros, dos quilómetros de caminhos e estradas quase inexistentes, porque é preciso ser resistente para viajar por lá, restam as pequenas ilhas como Nosy Be ou Sainte Marie com o seu cemitério de piratas e, imaginem… as praias mais fantásticas! (Desculpem os que ainda acreditam, mas para mim o paraíso não pode ser o Jardim do Éden mas sim uma praia deserta).
Madagáscar serviu de refúgio a milhares de piratas, alguns portugueses, e terá albergado a Libertália, uma colónia libertária de piratas no século XVII. E se não sabem eu adoro piratas! Fascinam-me simplesmente. Se a Libertália tivesse vingado não vivíamos neste capitalismo regulado. Se pudesse até aderia ao partido pirata, ainda está em processo, parece que são ideias nórdicas e têm umas propostas interessantes sobre direitos de autor, interessantes quero dizer anti-capitalistas! Desregular é preciso.
A racionalidade afinal é inútil, há quem ache que não e até é provável que esses não entendam a profundidade deste filme, ainda assim vão ficar extasiados com a sensualidade da maioria das cenas do filme.
Lars Von Trier volta a ocupar o lugar de intocável na sétima arte, pela bela música, imagens e interpretações que dirigiu em Melancholia.
Mas será que era mesmo imprescindível recorrer à parábola do fim do mundo, da mana boa e da mana má, para nos mostrar que a racionalidade pode ser inútil? Parece que sim, e às vezes nem à bruta entendem.
Estaremos todos tão estúpidos assim? Não, mas nesta espécie de modernidade atingimos um equílibrio estável entre superficialidade e racionalidade.
Se o mundo acabasse amanhã como escolheríamos passar as últimas horas?
A degustar um bom vinho de mãos dadas com os nossos entes queridos num dos terraços da nossa rica mansão?
Isso pode dizer muito sobre as (ir)racionalidades.
Os portugueses que apreciam as iluminações natalícias terão de comprar uma viagem lowcost para uma das principais capitais europeias, talvez Londres, Paris ou até Berlim, é caso para dizer mais uma vez (e com alguma ironia) viva a Europa!
Parece que Lisboa, uma aspirante a capital do turismo, estará limitada a meia dúzia de estrelas cadentes que aterraram há umas semanas na Praça da Figueira. Há que dar bons exemplos aos alfacinhas e, principalmente, a quem nos visita, mesmo que esta opção faça jus ao célebre "É para inglês ver!", é quanto a mim uma estratégia algo pueril para convencer os senhores que aterraram na portela há uns meses do nosso empenho em reduzir despesa, ou melhor excessivas gorduras que fomos acumulando!
Londres, Paris e Berlim bem podem ficar com mais um monopólio, o turismo natalício, o que conta por cá são os bons exemplos, até porque uma coisa é certa, os portugueses vão ter o melhor clima natalício da europa, porque o nosso capital solar, esse, ninguém nos tira!
No entanto muitos portugueses terão de procurar "o seu lugar ao sol", procurando sustento noutras paragens...já nos habituámos, são séculos da mesma história.
Pode parecer um paradoxo mas, na adolescência, os nossos amiguinhos e colegas de liceu, só porque queriam ser punks, metálicos ou vanguardas, tinham de censurar tudo...até tinham o descaramento de censurar a música que gostávamos de ouvir!
Para os que viviam quase no centro da PI os Mecano foram mais do que uma moda, era ficar horas a fio a ouvir o álbum "Aidalai" e a traduzir os sentimentos de letras tão profundas como "el fallo positivo" ou "Dalai Lama".
Uma amiga desses tempos mostrou-me este fim-de-semana como é tão bom reviver e até rirmos das nossas crises existenciais quando ainda só tentávamos existir e quantas vezes da pior maneira.
Então contra a censura, dos que ainda não cresceram ou gostam mesmo de oprimir, cá vai a lenda do pescador...
O Fado ganhou a distinção e o reconhecimento enquanto património imaterial da humanidade no passado fim-de-semana, graças ao empenho da candidatura liderada pela Câmara Municipal de Lisboa através EGEAC/Museu do Fado, mas também e sobretudo aos fadistas, guitarristas e letristas que nos últimos dois séculos deram corpo e voz à canção da saudade.
Mas é também canção da festa, do ciúme, do amor, da separação e do destino.
Porque ouvimos e gostamos tanto de fado?
Não faço ideia, porque somos melancólicos, espero que não!
Ouvir desde pequena não deve ser uma razão suficiente, mas como ouvia sempre em ocasiões especiais, em momentos mais fraternos foi-se tornando uma espécie de encontro comunitário.
Gosto do silêncio que acompanha o Fado, para mim é uma espécie de oração e a fadista bem pode ser a nossa sacedortisa.
Gosto de todos os tipos de Fado, mas para mim há dois projectos que marcam muito a evolução que o fado se permitiu ter nos últimos tempos e que eu aprecio. O fado experimental d'A Naifa porque nos retrata a sociedade que escolhemos para viver e a Worldmusic de Lula Pena pelo lirismo único que exala das mãos e da voz desta lisboeta nascida do fado.
Cada sexo tem uma relação com a loucura. Cada desejo tem uma relação com a loucura. Mas parece que um desejo tem sido tomado como sabedoria, moderação, verdade, deixando para -o outro sexo o peso da loucura que não pode ser reconhecida ou considerada. Luce Irigaray
Ou será mesmo loucura de alguns? Neste caso de todos/as por aceitarmos uma sociedade tão dividida...A diferença entre os sexos será mesmo necessária? E de género faz algum sentido?
Se nas formas primitivas das comunidades foi essencial há sobrevivência da espécie, agora que vivemos em sociedades supostamente desenvolvidas porque continua a ser tão evidente esta diferença?
A resposta está longe de ser biológica é por isso mais social, pela maneira como nos organizamos para produzir, consumir e reproduzir. O nosso futuro só pode passar por uma sociedade alternativa, por isso mais igualitária e também mais sustentável. Esta já foi...
Para mim é mesmo um prazer descobrir pequenos recantos mágicos nos sítios que eu já conheço, pode ser aldeia, cidade ou região.
Como passei parte dos meus últimos 16 anos a viver entre Lisboa e o Alentejo, já conheço/percebo alguma coisa de Lisboa, mas considero que só conheço porque gosto de viver os sítios por onde passo...pois quem me conhece sabe que gosto de meter o meu nariz em todo o lado. A verdade é que ao contrário do caracol sou mesmo irrequieta, aliás sou a antitese daquele mito urbano de que os alentejanos são lentos, em pequena já lutava contra a sesta! Mas respeito muito aqueles que lutam por esse direito até porque o calor entorpece e trabalhar com mais de 40º e sem ar condicionado não é pêra doce!
Há pouco tempo fui ao Museu da Cidade e descobri o Jardim Bordallo Pinheiro, uma obra de remodelação recente do antigo jardim do Palácio Pimenta, inaugurada em 2010.
A criação e génio artístico de Joana Vasconcelos valem a pena ser vistos ao vivo e não há desculpas porque não se paga e as crianças vão adorar!
Eu adorei a magia e quero levar lá os meus sobrinhos.
Só esta foto porque não quero ser desmancha-prazeres e estragar a(s) magia(s) na possibilidade de serem surpreendidos por uma caracoleta gigante como eu fui!
É a imagem deste vídeo excelente que define o serviço social!
Eu gostei mas ainda há quem prefira uma imagem mais negativa, mesmo compreendendo que as imagens que vemos no nosso dia-a-dia profissional nem sempre são as mais anímicas e muitas vezes estão no limiar da dignidade humana, ou muito a baixo.
Apesar das tentativas ainda não encontrámos a poção mágica para rejuvenescer os que envelhecem, nem para tratar doenças crónicas, como o HIV ou o cancro, também ainda não encontrámos as respostas para combater a discriminação, mas todos podemos contribuir para uma sociedade mais solidária e mais justa, basta trabalharmos em primeiro lugar para termos sociedade. Logo a seguir virá a qualidade de vida?
A propósito dos cortes no D. Maria II lembrei-me que o melhor é ir à missa e aproveito para fazer trabalho pró bono, contribuindo assim para o diagnóstico da gestão familiar e quotidiana dos desleixados.
Divulgo aqui uma Checklist de "luxos" para pobres, ferramenta útil para assistentes sociais vinculadas à operação fome zero e outros programas de cariz socio-assistencial e também para os portugueses em geral, eu própria incluída:
- jantar num restaurante, aliás jantar porque comer sopa e fruta é mais saudável, para o almoço nem se pergunta "Vá à cantina/refeitório mais próxima/o!".
- dar presentes(ou prendas conforme) de natal aos filhos ou sobrinhos ou outras crianças, a não ser que seja um punhado de clementinas e duas nozes (bolotas para os alentejanos). Para simplificar os brinquedos estão proibidos, são uma espécie de pecado.
- Ir ao cinema, ao teatro, a um museu ou afins e ver a televisão dos ricos (com uma mensalidade paga para assistir à transmissão e cujos operadores por norma têm 3 digitos, deve ser uma regra concorrencial). Aproveite a programação que aí vem do canal 1, pois promete diversidade! Se não gosta de propaganda tenha paciência.
- Ter telemóvel, uma mensalidade em comunicações e acima de tudo falar com alguém por telemóvel ou telefone. É caso para dizer "Não fale, mas vá!", se estiver muito longe tenha paciência.
- Ir, ou andar dum lado para o outro, viajar e não só, andar de transportes é mesmo um luxo! Se pode ir a pé ou de bicicleta (eu já aderi), vá! Se esta opção não for acessível, especialmente para os séniores que já estão habituados a estar sós e abandonados, escreva uma carta, um postal ou um telegrama. Se ao fim deste tempo todo e de tantas oportunidades ainda não sabe escrever peça ao seu assistente social que fica mais barato, OK?
- Não aprender chinês e não melhorar os conhecimentos de inglês, o futuro está lá fora à nossa espera se não agarrarmos as oportunidades é porque somos cegos ou preguiçosos.
- Comprar roupas e calçado, aprenda a costurar! E se só sabe bainhas e botões como eu, vá ao baú da mãe e da avó, adira ao vintage! Se não tem baús em casa, tenha paciência e aceite tudo o que lhe oferecerem, porque as calças à boca-de-sino estão na moda e "a cavalo dado..."!
-Não ir à missa aos domingos, porque é de borla e alimenta o espirito, que é um ente faminto e pecaminoso constantemente alienado pelo corpo hedonista e as necessárias tentações do consumismo!
(Como não tenho muito sentido de humor inspirei-me na sensatez de alguns ministros, pareceu-me mais económico)
A banda sonora perfeita para atender utentes é mesmo esta...excessos à parte, como ter um animal de estimação e andar de transportes públicos!
Se eu não sou capaz de explicar ou ensinar a reprodução humana à minha sobrinha?
Ou preciso de tempo ou há qualquer coisa errada em mim! Provavelmente é o século XXI.
Hoje a minha sobrinha insistiu novamente na ideia de que eu devo ter um bébé, foi nestes termos que anunciou à minha mãe:
"Avó a madrinha vai ter um bébé?"
Eu "Para quê?"
"Para eu cuidar"
Eu "Mas sabes como nascem os bébés?"
"Sei, da barriga das mães!"
Eu "E como se fazem?"
"hummm" hesita "Éééé uma sementinha!"
Eu "Uma sementinha???" muito pronta "Mas quem tem essa sementinha?" (confesso que esperava que respondesse que era o meu namorado)
... depois de pensar algum tempo responde-me: "Os enfermeiros e os médicos!"
OOOOOOOPPPPPSSS, pensei ou é contra-informação da TV com aquelas políticas da PMA/RMA ou é ficção científica??? Não, é mesmo o século XXI e as suas nuances que requerem uma actualização dos manuais de educação sexual.
Vivemos no século da informação, mas faltam os conteúdos úteis e eficazes, enfim falta a objectividade necessária nestes casos!
Eu nasci nos anos 70 e na altura li um livro muito objectivo, mas descobri agora que afinal era de vanguarda (eu já desconfiava), pois era bastante explicito e pelos vistos censurado (resta saber por quem) e nunca mais voltou a ser publicado em Portugal. Tenho de ir ao sótão e aos báus procurar o dito livro verde, que é outra reliquia que tenho de guardar com o vinil do Jardim Jaleco!
Faz-se aqui uma análise detalhada do conteúdo desse livro e reclama-se a sua (re)publicação, mas por favor não se esqueçam da PMA.
"Como se fazem os bébés?" de Per Holm Knudsen é dinamarquês e vale a pena rever 40 anos depois da data da primeira publicação, trouxe e traz alguma polémica para as mentes mais conservadores e no início deste século o que não faltam são essas mentes.
Aqui mais imagens, com tradução em espanhol...
Anatomias à parte, as ilustrações de PHK são esclarecedoras e muito úteis!
Sim, se calhar porque do cinema, já decidi, não vou abdicar!
São duas propostas irresistíveis para o (pouco) tempo livre, como não consigo eliminar esse pouco da minha vida.
Faço um esforço para que calhe mas só posso escolher uma das peças...
Até 20 de Novembro no São Luiz "Dias a Fio"
A partir de 27 de Novembro no D. Maria II "Quem tem medo de Virginia Wolf?"
Gostei desta campanha publicitária, mas até que ponto é que a moda pode quebrar tantos estereótipos.
A Fracomina inspirou-se no neo-feminismo da "Slutwalk" para esta campanha de inverno. A luta está mesmo na moda!
E como este ano não há dinheiro para os trapos é melhor irmos para a rua gritar!
A tradução que falta...
"Sou a Clara, gosto de mulheres e não gosto de motores"
"Sou a Mónica, estou na política e não vou para a cama com ninguém"
" Sou a Eva, gosto de maçãs e não cedo sempre às tentações"
"Sou a Maria, não sou virgem e tenho uma forte espiritualidade"
"Sou a Ema, tenho três filhos e sou chefe no meu trabalho"
"Sou a Madalena, sou prostituta e não sou uma rapariga fácil"
(a mais polémica estava a ser dífícil traduzir, é preciso conhecer o estereótipo...)