O bichinho estava lá desde que começei a dedicar-me à história do serviço social e lá estava a tal pergunta: qual o significado do "social" no final do século XIX e no início século XX?
Assim há dois anos decidi que queria conhecer melhor a história da Europa entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX, mas não seria certamente através dos tradicionais manuais de história, mas sim da obra e memórias dos seus maiores pensadores, podiam ser escritores, filósofos, historiadores e até pintores. Para tal começei por escolher um país, ou melhor uma lingua, e o francês pareceu-me o mais indicado, depois, ao acaso, foram surgindo os autores, em feiras, bibliotecas e até no arquivo lá de casa. É curioso como vasculhamos tudo à procura de um autor e ele foge-nos, enquanto outros estão sempre ali a insistir connosco.
Além do meu objectivo principal também tinha preferência pelo reconhecido mérito destes autores na esfera literária. Assim o primeiro a cumprir os requisitos é sobejamente conhecido e aclamado, Albert Camus. Depois do primeiro livro "O estrangeiro" vieram outros livros de Camus e o que mais me impressionou foi "A peste", esse terrível retrato à condição humana sob ameaça, suspeição e dominação. Quando o medo supera o valor da vida e a ameaça da epidemia mantém todos sob suspeita. muitos perdem a esperança e outros conseguem resistir.
Logo a seguir senti que precisava de um autor menos consensual e com bastante crítica, a melhor solução foi olhar atentamente para o arquivo lá de casa e "Os sinos de Basileia" de Louis Aragon foi sem dúvida uma exclelente opção.
Aragon na sua longevidade conseguiu deixar-nos uma vastíssima obra, mas não nos iludamos pois não foi só porque viveu quase o dobro dos anos de Camus que nos deixou esta obra, mas sim pelo seu brilhantismo. Quando perguntaram a Jean Ristat, em 2003, de que viveu Aragon? A resposta foi clara dos seus direitos de autor, não morreu rico, mas isto diz-nos alguma coisa sobre a sua dimensão intelectual.
Conhecido essencialmente por pertencer ao movimento surrealista ficaria fora da graça, provavelmente, porque a sua fase realista inclui-se no realismo-socialista. Mas para quem como eu procura rever a história, ou um certo olhar sobre...e ao mesmo tempo se sente suficientemente satisfeita com este estilo de escrita, mais realista, Louis Aragon torna-se incontornável.
"Os sinos de Basileia", de 1934, incluído na coleção "O mundo real" narra o início de século que antecede a primeira guerra mundial, as suas ilusões e contradições, a partir da vida de três mulheres. A primeira mulher deste romance é Diane que vive de acordo com a sua condição feminina uma vida fútil e à mercê da vontade de todos, a segunda é Catherine que sendo mais crítica que a primeira acalenta a esperança de viver a sua própria vida para além da sua condição, por fim Clara a quem Aragon chamou "a mulher dos tempos modernos".
Do livro e sobre Catherine, entre muitos, deixo estes excertos muito bons...são duas belíssimas caricaturas...do anarquista e do revolucionário-comunista
"É certo que Catherine sentia como uma tara, como uma espécie de pecado, aquela sua impossibilidade de abandonar realmente a sua classe, aquilo que a ligava ao universo limitado da rua Blaise-Desgoffe. Eram bem estranhas as relações que mantinha com Libertad (o amigo anarquista). Parecia-lhe estar a brincar às princesas em visita à arraia-miúda. No entanto, sentia-se mais próxima daquele homem do que de Mercurot. Mas tudo entre eles acabava num certo ponto. E com outros, era ainda pior.
Uma das coisas pelas quais Catherine se sentia reconhecida a Libertad, e que a fazia sentir à vontade, foi que ele pusesse de lado o problema das classes. A concepção socialista que corta o mundo ao meio, como uma maçã, ficando de um lado os explorados e de outro os exploradores, sempre a tinha irritado. Onde situar-se? Ela não explorava ninguém, mas não era uma operária.
Pois Libertad dizia que tal distinção era absurda. Havia duas classes: a dos que trabalham para a destruição do mecanismo social e a dos que trabalham para a sua construção. Por conseguinte, em ambas se encontra operários e burgueses. Catherine, pelo facto de ser frequentadora da rua de la Barre, sentia-se do lado bom. Consolação intelectual."
A propósito do suicídio de Paul e Laura Lafargue, Catherine discute com Victor (um motorista militante do movimento operário e também um dos seus amantes)...
"Batia com o punho na mesa. Catherine, com aquela voz doce e surpreendente para os franceses, tentou defender não só Paul e Laura, mas o suicídio. Que havia um preconceito cristão...Victor interrompeu-a violentamente: Que é que está para aí a dizer? Tirar força à Revolução, lá porque se teme a doença, ou a velhice, ou seja lá o que for, um preconceito que eu tenho?...Ah! Sim um preconceito de classe, da minha classe, daquela que vai para a porrada, e que não quer que os combatentes se distraiam! O suicídio, é recalcitrar perante os obstáculos. Que é que tanto teme um proletário que sabe que é proletário, isto é, um militante da sua classe, para querer contra ele próprio, isto é, contra uma parcela da sua classe, dar razão ao adversário, à burguesia, suprimindo-se? Quem se mata são os burgueses.
- Há desempregados que se matam, murmurou Catherine.
- Para começar esses são empurrados para a morte. Parece mais um assassinato do que um suicídio. E depois, se esses camaradas se matam, é porque não sabem como lutar contra a miséria, porque julgam que nada no mundo pode mudar, e então, deixam a vida. Foram vocês que lhes meteram nas cabeças, à força de resignação, cristã ou não, essa ideia e eles estoiram por causa disso. Mas se tivessem consciência..."
Curioso é que encontrei aqui mais sobre Basileia...
terça-feira, 13 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
O amor segundo Iggy
É assim o amor e a vida conjungal, é tudo tão simples!
Não sei onde tenho ou melhor por onde anda a banda sonora do "Arizona Dream", mas hoje este video passou na tv e fiquei assim...nostálgica. Apetecia-me ouvi-la toda até à exaustão.
Não sei onde tenho ou melhor por onde anda a banda sonora do "Arizona Dream", mas hoje este video passou na tv e fiquei assim...nostálgica. Apetecia-me ouvi-la toda até à exaustão.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Das férias perfeitas
Das férias da minha infância e de boa parte da adolescência guardo a memória de um tempo que parecia não ter fim, o tempo da minha liberdade que já foi infinita. Era então o tempo da biblioteca itinerante da Gulbenkian, da hora da sesta fingida, de aprender os lavoures femininos e sempre que era preciso de ajudar no pequeno negócio da família, mas acima de tudo de descobrir, subir às árvores, andar de bicicleta até cansar, tomar banho num charco qualquer e sonhar. O final do dia perfeito dessas férias tão distantes era à “fresca”, com os pés descalços e em brincadeiras nocturnas que só terminavam quando os pés tinham uma cor suficiente negra e aspecto esquálido. Como alguns apenas podem imaginar… asfalto e pés descalços resultam numa combinação imperfeita, numa estética paradoxal que poderíamos classificar no limiar do surrealismo, não fosse para tantos tão real. Estávamos na década de 80 e só mais tarde, na década de 90, fiquei consciente que pés descalços rimavam melhor com terra e com areia, mas para isso foi preciso aprender que asfalto rima com progresso e pés descalços com pobreza extrema.
As férias incluíam sempre uma visita prolongada aos familiares que, tendo partido há alguns anos “da terra”, viviam perto da nossa costa. E não por pura ironia, nem acaso, e isso agora pouco importa…pois para minha felicidade viviam quase todos! Por isso quando não ficava perto do Estoril, ficava perto de Sintra. Na Parede irritava-me com a obrigatoriedade de entrar no mar com sandálias só porque fazia bem aos ossos! Mas acima de tudo porque entrava por cima de uns pedregulhos que pareciam, aos meus olhos de criança, verdadeiros gigantes de pedra, com as suas saliências pontiagudas. Na Linha, e com o passar dos anos, passámos a ter preferência pela praia do Casino, a do Tamariz, para os locais. Perto de Sintra é das Maçãs que guardo as melhores recordações de quando era temerária, porque foi aí que, ironicamente, aprendi a respeitar o mar.
Entretanto as férias grandes foram passando e chegou a adolescência!
Numas férias grandes, devia ter uns onze anos, aterrámos (eu e a minha irmã) na Encarnação, perto dos Olivais. Passei as minhas férias “encantada” entre o novo Centro Comercial da Portela e as Piscinas dos Olivais. Nesse ano a maior parte dos mergulhos foram menos salgados é certo, mas a possibilidade de observação da diversidade da espécie masculina, por aquelas bandas e na minha puberdade, tornou estas férias mais aliciantes.
Regressemos às férias no Alentejo que entretanto, no final dos anos 80, fora invadido por piscinas municipais, obras da adesão à CEE. Como já éramos suficientemente crescidas para formarmos bandos de raparigas de maiô* que coloriam as águas monótonas desses equipamentos municipais, os mergulhos tinham agora uma nova rota. Assim passámos a ir a banhos mesmo por aqui. As férias passaram a incluir, entre as outras actividades, o périplo das piscinas municipais, Fronteira, Estremoz, Vila Viçosa, Monforte (muito popular na altura) e até Évora, faziam parte do nosso Roteiro. Os nossos pais combinavam turnos para os transportes, uns levavam outros traziam, até que chegou o dia da via para a emancipação (aos quinze e para a minha irmã, que tinha licença, aos dezasseis) e decidiram compraram-nos uma “acelera” para combater os males da interioridade.
Também porque já éramos mulherezinhas, quer dizer adolescentes, os nossos pais passaram a autorizar a nossa deslocação ao fim-de-semana, sempre em bandos heterogéneos, “às praias” de Tróia. O bando não era um grupo de delinquentes, mas obedecia a alguns princípios que podemos observar nesses Ganges, eram uma instância de protecção e hierarquias das mais velhas em relação às mais novas, das quais supostamente cuidavam.
O fim das férias acabava sempre em beleza, com pelo menos cinco dias de acampamento no Avante! (A Festa, o que hoje se chama um Festival). O que parece uma contradição, por que o fim daquilo que é bom pode deixar-nos tristes e ansiosos, mas não era o caso…. A Festa tinha a função de impulsionar a vontade de voltar às aulas e ao trabalho. Ainda hoje tem essa função, a Festa do Avante! é o meu momento de religiosidade, ou se preferirem de peregrinação. Foi lá que aprendi gestos de solidariedade, camaradagem e tolerância, mas acima de tudo a acalentar a esperança num mundo melhor. São as esperanças que nos fazem regressar e principalmente fazem-nos crer e saber viver.
Das férias quero guardar sempre essa possibilidade de liberdade infinita, que neste momento passa por estar só comigo, por pensar só em mim e principalmente só por mim, ainda que às vezes esses pensamentos me arrastem para uma dimensão de loucura, ou melhor de fantasia e ilusão, que é mais saudável para mim do que o mundo real. Sempre consciente, contudo, dos limites dessa fantasia, em que os sonhos, os quais não delimitamos na nossa infância, são isso mesmo. Foi assim que passei a minha primeira quinzena de férias em Agosto, num período que parece temporalmente curto mas que passei a gosto!
As férias perfeitas já foram as férias grandes, hoje são o reencontro. Para quem se sente demasiado estúpido neste período "Cuidado!", porque isso pode ser um mau sinal...
*Nos anos 80, já havia biquínis em Portugal por isso é preciso contextualizar. Digamos que esta era a indumentária perfeita, uma vez que a maioria destas piscinas tinham como atractivo principal para os não-utilizadores masculinos, uma enorme esplanada panorâmica com vista para o colorido das meninas, transformadas assim em verdadeiras Lolitas! O biquíni parecia-nos mais apropriado para a praia em Tróia, ou a Piscina dos Olivais, enfim só mais tarde percebi que era tudo uma questão de representações e controlo social.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Operação Fome Zero - Parte I
Para quem trabalha há algum tempo, são só dez anos, sete dos quais com os pés na lama (isto porque sou uma pessoa romântica e não gosto de meter as mãos na massa, isso é para qualquer um e eu sou mais da ecologia e prefiro os pés na lama), com o lado pobre do "social" foi com indignação que reagi ao anúncio na página 91 do programa do XIX governo constitucional, a propósito de uma medida do Programa de Emergência Social "- São prioritários, em termos de entrega às famílias, os seguintes itens: alimentação, vestuário e medicamentos; ".
A tal indignação pode levar-me nos próximos tempos à simples tarefa de imaginar (é o que me resta) como operacionalizar a dita operação, sem ironias claro!
O estado em que fiquei por enquanto lembra-me constantemente esta música do JMB. O músico e compositor, cujo trabalho admiro muito, mas que assumiu recentemente numa revista de grande tiragem que afinal aquilo que dizia sobre o FMI não era bem aquilo que queria dizer, dando o dito pelo não dito, no que poderia ser uma nova doença, uma espécie de amnésiamelomaníaca que ataca sobretudo compositores do protesto, vá-se lá saber porquê? Mas isso é um caso para as ciências médicas...
Continuo a apreciar bastante...
Vou procurar algumas respostas, não científicas, para a minha indignação. Depois de "exorcisar" o meu lado emocional poderei, com a minha racionalidade, compreender.
Claro que, depois da indignação, virá a iluminação, espero que alguém me explique por palavras muito bonitas como é que a dita operação vai "tratar" dos pobres. E as palavras bonitas não me competem a mim (risos) mas sim aos cientistas sociais.
Só mais uma nota....a emergência social, conceito que entendo de uma maneira totalmente diferente, desde logo porque não é nenhum tsunami é social, assim apesar de ser emergente requer uma capacidade de acção e respostas bastante complexas... nunca me tinha ocorrido que a emergência social pudesse ser tão perniciosa, vou já devolver o dito livro à biblioteca, de um tal Sawyer que fala em teoria dos sistemas, que maluquice!
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Sobre a(s) certeza(s)
Todos temos incertezas, fazem parte da nossa vida, temos de aprender a viver com elas...as incertezas representam o grau da nossa consciência sobre o mundo que nos rodeia. Quantas mais e mais profundas, tanto melhor...
As certezas são para quem ainda está muito iludido ou mesmo alienado!
As certezas são para quem ainda está muito iludido ou mesmo alienado!
quarta-feira, 29 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Viva a Presidenta!
Hoje fez-se história porque, pela primeira vez na trajectória de uma velha república mas jovem democracia, uma mulher foi eleita para o cargo de Presidenta da Assembleia da República, é caso para dizer mais vale tarde do que nunca!
Os senhores deputados da Assembleia da República estão de parabéns, votaram com uma larga maioria Assunção Esteves para o cargo de Presidenta da Assembleia da República.
Eu que anseava por este desfecho, uma mulher "forte" para este cargo, fiquei naturalmente feliz.
A sua eleição pode ser inspiradora para muitas mulheres, porque precisamos de reforçar a democracia e acima de tudo amadurece-la.
A mim inspirou-me e quase chorei de emoção ao ouvir uma parte do discurso na rádio...
Mas uma mulher não chora, isso todas sabemos!
segunda-feira, 20 de junho de 2011
A cultura
A cultura é um património universal da nossa civilização, a cultura é um caminho para a liberdade e um direito universal de pertença a um colectivo maior a HUMANIDADE!
Inspiro-me nas reflexões do alentejano Bento Jesus Caraça, Professor universitário e matemático, sobre o papel da cultura, consciência e liberdade.
'A aquisição da cultura significa uma elevação constante, servida por um florescimento do que há de melhor no homem e por um desenvolvimento sempre crescente de todas as suas qualidades potenciais, consideradas do quádruplo ponto de vista físico, intelectual, moral e artístico; significa, numa palavra, a conquista da liberdade.
E para atingir esse cume elevado, acessível a todo o homem, como homem, e não apenas a uma classe ou grupo, não há sacrifício que não mereça fazer-se, não há canseira que deva evitar-se. A pureza que se respira no alto compensa bem da fadiga da ladeira.(...) o que não deve nem pode ser monopólio de uma elite é a cultura; essa tem de reivindicar-se para a colectividade inteira, porque só com ela pode a humanidade tomar consciência de si própria, ditando a todo o momento a tonalidade geral da orientação às elites parciais.
Só deste modo poderá levar-se a bom termo a realização daquela tarefa essencial que atrás vimos ser o problema central posto às gerações de hoje - despertar a alma colectiva das massas.'
A cultura atingiu patamares de diversificação quer dos meios, a partir de novas tecnologias, quer das finalidades, por exemplo de lazer, que se tornou difícil de apreender enquanto expressão da alma colectiva.
E para atingir esse cume elevado, acessível a todo o homem, como homem, e não apenas a uma classe ou grupo, não há sacrifício que não mereça fazer-se, não há canseira que deva evitar-se. A pureza que se respira no alto compensa bem da fadiga da ladeira.(...) o que não deve nem pode ser monopólio de uma elite é a cultura; essa tem de reivindicar-se para a colectividade inteira, porque só com ela pode a humanidade tomar consciência de si própria, ditando a todo o momento a tonalidade geral da orientação às elites parciais.
Só deste modo poderá levar-se a bom termo a realização daquela tarefa essencial que atrás vimos ser o problema central posto às gerações de hoje - despertar a alma colectiva das massas.'
A cultura atingiu patamares de diversificação quer dos meios, a partir de novas tecnologias, quer das finalidades, por exemplo de lazer, que se tornou difícil de apreender enquanto expressão da alma colectiva.
Aquilo a que assistimos hoje, infelizmente, é ao domínio de uma cultura "light", mais consumível, que ocupou o lugar quer do património da cultura universal quer da produção de novas manifestações culturais e artísticas. Ao que parece a canseira da subida da ladeira deixou de compensar, hoje é tudo muito imediato e a cultura não é pão para a boca.
A cultura "light" é hoje um instrumento de alienação, uma servidão consentida e consensual; esta cultura é incapaz de criar solidariedade, consciência e de formar na liberdade do espírito.
A cultura pode ser a estética de uma época nas suas mais variadas expressões artísticas, ela é dinâmica e cumulativa ao mesmo tempo. Ela tem raízes fortes num determinado espaço e num determinado tempo, mas enquanto património colectivo passa para o referencial de diferentes épocas e de diferentes gerações.
O que mais importa é perceber se a cultura perdeu a sua função socializadora, não quero especular muito mas vou arriscar no não. Por isso defenda-se a cultura universal enquanto bem público a nível local e global!
domingo, 19 de junho de 2011
Ilha Deserta
Hoje queria estar na praia, como qualquer bom cristão, como não posso, fico-me pela imagem....
Esta tirei-a na Ilha Deserta em Faro, para quem pensa que o Algarve em Agosto é só confusão, fica aqui a prova do contrário...foi só o melhor dia de praia do ano passado!
A Ilha de Tavira também estava muito boa, mas tinha mais gente...
A água estava suficientemente quente para eu querer voltar lá este ano.
Com a vantagem de que se tudo correr bem, uma boa parte do areal pode ser aproveitado para a prática de naturismo...
"Os Verdes" apresentaram no ano passado um projecto lei para permitir aos munícipios o ordenamento das praias para a prática de naturismo (ainda há partidos que fazem propostas decentes), uma boa maneira de potencializar os quilómetros de praia do nosso país, basta para isso diversificar a oferta turística, que a nossa economia até agradece.
Até 2010 só seis praias no sul de Portugal contavam com este estatuto oficial, o que é importante em termos de qualidade e segurança para quem pratica, principalmente quando uma boa parte desses praticantes são turistas com algum nível de exigência e que valorizam um mínimo de ordem...
Então que se modernizem as praias!
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Serás sempre o meu herói!
Como qualquer criança e adolescente que levou com o pop, o kitsch e toda a propaganda americana nos anos 80, o meu super-herói só podia ser este. Aos oito anos gostava dele porque não era um gabarolas, era forte e lindo. Aos treze achava que voar nos braços dele sobre Nova Iorque devia ser mesmo romântico. Aos dezoito já o tinha trocado há algum tempo pelos namorados e pelo Bart Simpson. Aos vinte e três começei a trabalhar, entrei na era feminista e deixei de acreditar em super-poderes!
Agora, com trinta e três anos, reconheço que ele teve e tem uma importância fundamental enquanto referência masculina, o super-homem e o homem-ideal são uma e a mesma coisa! O homem perfeito é corajoso, discreto, descontraído, inteligente, perspicaz, franco, honesto, justo e altruísta, mas claro só existe na ficção, que é o mesmo que dizer nos meus sonhos!
A única diferença é que o super-homem ainda me consegue surpreender ao fim destes anos todos.
O Super-Homem que já estava suficientemente globalizado, decidiu agora aderir a uma ética global e descartar o patriotismo que o caracterizava.
O Super-Homem anunciou recentemente, num cartoon note-se, que vai renunciar à cidadania americana, não podia ser mais perfeito. Mas depois de alguma polémica a verdade nua e crua "Este reposicionamento faz sentido do ponto de vista comercial, em vésperas da apresentação em Hollywood de mais um filme do Super-Homem que depende, e muito, das receitas de bilheteira internacionais".
A colonização cultural americana reveste-se hoje de uma nova roupagem até porque, nas diferentes esferas, poucos sabem quem pertençe a quê. Outra conclusão o dinheiro é quem mais ordena...
Aos homens, de carne e osso, resta-lhes o consolo de que a perfeição não existe, nem para os super-heróis!
sábado, 11 de junho de 2011
Livres e deprimidos ou iguais e oprimidos?
Estes dois valores, igualdade e liberdade, são difícieis de conciliar e foram paulatinamente esquecidos. Quando a sua visibilidade era maior chegaram a ser considerados como irredutíveis, mas mais tarde um deles tomaria a dianteira do outro.
Não arrisco pegar numa balança e pesar os dois e não sei se um é mais importante que o outro, nem se um excluí o outro, mas confesso-me apaixonada pelos dois!
A liberdade tornou-se, no século XX, um valor central de qualquer democracia, já a igualdade reside, no início do Século XXI, apenas no imaginário de utópicos e idealistas. Um dos mais conhecidos liberais, Milton Friedman, pugnaria pelo primado da liberdade sobre a igualdade. (Como se esteve nas tintas para os efeitos da liberdade na comunidade humana aos que acreditaram nos seus ditames resta esperarem sentados!)
Mas é a relação da liberdade com a auto-determinação individual que mais me fascína, qual o seu efeito?
Terá sido esta preocupação que levou Kierkegaard a escrever "anxiety is the dizziness of freedom", que será o mesmo que dizer que a ansiedade é a vertigem da liberdade.
Kierkegaard, como bom filósofo do seu tempo, socorreu-se de uma metáfora, a do precipício, afirmando que se eu estiver à beira do precipicio posso sentir vertigens e terei o medo imediato de cair, mas terei uma sensação ainda mais profunda de tontura originada pela liberdade absoluta que tenho para decidir se vou cair ou não. Este filósofo avançou com um conceito de ansiedade como um impulso para a tomada de consciência (auto-consciência) sobre os nossos actos, que têm entre outras uma dimensão moral. É essa vertigem, que nos fará ponderar sobre as decisões que conduzem as nossas vidas e que nos tornará assim mais responsáveis pelo nosso destino.
A respondabilidade e consciência individual são importantes, mas não estamos habituados a estar sós no precipicio, será por isso que geramos uma ansiedade do tipo colectivo?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Lógica, pois, pois...
No outro dia estava a ouvir a banda sonora do "Magnólia", ouvi isto e acho que tem tudo a ver com este estado de nonsense, que me acontece recorrentemente nos últimos meses e quase sempre à noite. O sucesso desta música é, entre outros motivos, a sua adequação face a uma multiplicidade de contextos e situações, mas o que importa é que a mim, neste estado de alma, assenta-me que nem uma luva!
E a pergunta é: porque é que eu me meti nisto? Não teria nada mais interessante para fazer? Só espero que não ou então que isso, seja lá o que for, possa esperar....
Para já decidi que, apesar da vontade de ir a alguns festivais, não vou...isto pode esperar!
domingo, 5 de junho de 2011
Humor Alentejano
Depois da gastronomia, da qualidade do ar (atmosfera e ruído) e das suas gentes, se há coisa que também devia ser certificada é o humor alentejano!
Encontrei no FB e achei delicioso...
Encontrei no FB e achei delicioso...
A RAÇA DO ALENTEJANO
Como é um Alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que se há-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.
Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
e dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que
«as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um Alentejano?
ERA UM DESCANSO...
(Por João Matos)Como é um Alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que se há-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.
Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
e dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que
«as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um Alentejano?
ERA UM DESCANSO...
Apesar de carregado de estereótipos e alguns preconceitos achei brilhante! E já agora, porque é Domingo e estou desligada, quero lá saber dos estereótipos e dos preconceitos, conhecem maior preconceito que aquele "Os alentejanos são preguiçosos!". Eu não e sou alentejana!
Aqui vai mais um, este mito foi inventado, com toda a certeza, por um urbano-depressivo perturbado pela falta de qualidade do ar, da acústica e mau humor das gentes da cité, seria mais adequado city, foi mais um lapso!
Temos espaço de sobra e não nos importamos de ser novamente mestiçados, desta feita por urbano-depressivos em terapia! Até porque já temos alguns...
Aos urbano-depressivos e aos urbanos em geral, não lhes reconheço muitas qualidades...(foi só o último preconceito do dia, espero até que dos próximos dez anos).
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Que orgulho!
A dobrar, a triplicar...
É caso para dizer que nesta arte não me importava de habitar e como considero que a arte não se pode possuir, habitaria uma das suas obras sem necessidade nenhuma que ela se tornasse minha propriedade!
O prémio atribuído ontem a Eduardo Souto Moura, em Washington, confirma a qualidade da arquitectura portuguesa, não é por acaso que a Arquitectura é uma das áreas de ensino mais em voga no nosso país. Como escreveu Judith Blau sobre os arquitectos norteamericanos "Muitos são os chamados; poucos os eleitos!".
Até porque somos repetentes, Siza Vieira, foi o primeiro arquitecto português a receber este prémio, em 92. Confesso que conheço melhor a obra de Siza do que de Souto Moura, nada mais natural atendendo a razões de ordem cronológica.
Sou uma apreciadora desta expressão que, combinando arte e técnica, é uma excelente indutora de bem-estar humano.
A cidade de Portalegre tem, desde 2008, uma obra de Souto Moura- a Escola de Hotelaria e Turismo, esperamos que passe a ser, entre outros, um dos atractivos da nossa cidade, capital do norte alentejano. Esta é de facto uma obra que se distingue e destaca, pela positiva, na paisagem, de tão bem enquadrada, lembro-me do impacto que teve em mim a primeira vez que a vi. Hoje passei lá e a sensação foi a mesma, não podemos deixar de reparar porque é ao mesmo tempo depurada, elegante e distinta. Enfim pura estética, porque é tudo isto mas não compete com a paisagem, antes a enaltece.
Ainda não tive disponibilidade para visitar a Casa das Histórias, em Cascais, mas este ano vai fazer parte do meu roteiro de férias.
É caso para dizer que nesta arte não me importava de habitar e como considero que a arte não se pode possuir, habitaria uma das suas obras sem necessidade nenhuma que ela se tornasse minha propriedade!
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