A Condição Humana. A natureza, as artes, as mulheres e também...os homens.

domingo, 5 de junho de 2011

Humor Alentejano

Depois da gastronomia, da qualidade do ar (atmosfera e ruído) e das suas gentes, se há coisa que também devia ser certificada é o humor alentejano!
Encontrei no FB e achei delicioso...

A RAÇA DO ALENTEJANO

Como é um Alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que se há-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.

Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
e dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.

O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.

É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.

Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que
«as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um Alentejano?

ERA UM DESCANSO...
(Por João Matos)

Apesar de carregado de estereótipos e alguns preconceitos achei brilhante! E já agora, porque é Domingo e estou desligada, quero lá saber dos estereótipos e dos preconceitos, conhecem maior preconceito que aquele "Os alentejanos são preguiçosos!". Eu não e sou alentejana!
Aqui vai mais um, este mito foi inventado, com toda a certeza, por um urbano-depressivo perturbado pela falta de qualidade do ar, da acústica e mau humor das gentes da cité, seria mais adequado city, foi mais um lapso!
Temos espaço de sobra e não nos importamos de ser novamente mestiçados, desta feita por urbano-depressivos em terapia! Até porque já temos alguns...
Aos urbano-depressivos e aos urbanos em geral, não lhes reconheço muitas qualidades...(foi só o último preconceito do dia, espero até que dos próximos dez anos).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Que orgulho!

A dobrar, a triplicar...

O prémio atribuído ontem a Eduardo Souto Moura, em Washington, confirma a qualidade da arquitectura portuguesa, não é por acaso que a Arquitectura é uma das áreas de ensino mais em voga no nosso país. Como escreveu Judith Blau sobre os arquitectos norteamericanos "Muitos são os chamados; poucos os eleitos!".
Até porque somos repetentes, Siza Vieira, foi o primeiro arquitecto português a receber este prémio, em 92. Confesso que conheço melhor a obra de Siza do que de Souto Moura, nada mais natural atendendo a razões de ordem cronológica.
Sou uma apreciadora desta expressão que, combinando arte e técnica, é uma excelente indutora de bem-estar humano.
A cidade de Portalegre tem, desde 2008, uma obra de Souto Moura- a Escola de Hotelaria e Turismo, esperamos que passe a ser, entre outros, um dos atractivos da nossa cidade, capital do norte alentejano. Esta é de facto uma obra que se distingue e destaca, pela positiva, na paisagem, de tão bem enquadrada, lembro-me do impacto que teve em mim a primeira vez que a vi. Hoje passei lá e a sensação foi a mesma, não podemos deixar de reparar porque é ao mesmo tempo depurada, elegante e distinta. Enfim pura estética, porque é tudo isto mas não compete com a paisagem, antes a enaltece.
Ainda não tive disponibilidade para visitar a Casa das Histórias, em Cascais, mas este ano vai fazer parte do meu roteiro de férias.

É caso para dizer que nesta arte não me importava de habitar e como considero que a arte não se pode possuir, habitaria uma das suas obras sem necessidade nenhuma que ela se tornasse minha propriedade!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Matar o tédio!

Finalmente uma grande notícia para quem gosta de matar o tédio com arte, mas está consciente que a arte, que é indispensável ao bem-estar humano, se converteu irremediavelmente num luxo.
Se ao mesmo tempo considero que a arte não se deve ou nem pode sequer possuir, ela é um património de todos, sei que o acesso a alguma arte é caro, tornando-se por isso restrito.
Mas um projecto que estava a ser desenvolvido já há algum tempo dá-nos hoje a possibilidade de visitar virtualmente, sem custos adicionais, vários museus, chama-se Art Project e está a ser divulgado a partir daqui.
Tem desvantagens, claro, para quem gosta de sentir a espiritualidade de um museo ou de um templo, não é a mesma coisa, mas também sabemos que é diferente ler um romence ou ver um filme romântico e viver uma paixão avassaladora! É como em tudo há vantagens e desvantagens.
Duas vantagens: é acessível e mata o tédio!
É caso para dizer a tecnologia ao serviço da nossa sanidade. É isso mesmo, uns minutos de higiene mental são fundamentais para a sanidade feminina.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia da Criança...

E só me ocorre isto...



A criança que há em mim vê sempre tudo pela positiva.

É melhor cantar...


Eu vi um sapo
Um feio sapo
Ali na horta
Com a boca torta

Tu viste um sapo
Um feio sapo
Tiveste medo?
Ou é segredo?

Eu vi um sapo
Com guardanapo
Estava a papar
Um bom jantar

Tu viste um sapo
Com guardanapo
E o que comia?
E o que fazia?

Eu vi um sapo
A encher o papo
Tudo comeu
Nem ofereceu

Tu viste um sapo
A encher o papo
E o bicharoco
Não te deu troco

Eu vi um sapo
Um grande sapo
Foi malcriado
Fiquei zangado

Tu viste um sapo
Um grande sapo
Deixa-o lá estar
Vamos brincar.

Não resisto ...é uma doçura!

terça-feira, 31 de maio de 2011

O meu Prozac!

Pode bem ter sido um dos motivos porque sobrevivi à adolescência...e à rebeldia que a caracterizou.
Depois de tentar (a)normalizar a minha existência com decisões brilhantes de início de ano lectivo do tipo : "vou criar uma rotina na minha vida". Esta rotina, também designada no senso comum por terapia de choque, passaria pela possibilidade de poder participar socialmente em conversas sobre TV, claro que a minha opção não recaiu sobre a trivialidade do futebol, mas sim em conversas  substanciais sobre séries de TV, de preferência as americanas que passam na Foxlife.
Depois do sucesso de "O Sexo e a Cidade", que eu simplesmente não tinha paciência para ver, mas que quanto a mim conseguiu três grandes feitos, dignos de destaque aqui e por ordem de importância: 1º popularizou e democratizou o sexo, inclusivé aquele que já vinha no  Kamasutra original, mas cujos segredos se mantiveram até então fechados e codificados para muitas/os; 2º criou uma nova oportunidade de negócio, refiro-me à infestação dos cupcakes que alegram as montras das pastelarias de qualquer cidade que se preze e 3º vendeu Louboutins (são uma espécie de scarpins de solas vermelhas que simbolizam a emancipação das mulheres, baaaaaaaaaahhhhhh, só podem simbolizar e nada mais....enfim, outra oportunidade de negócio). Afinal parece-me que foi só um...
A série que escolhi foi The Good Wife, que parecia perfeita com o argumento da boa dona-de-casa, uma licenciada em Direito que não trabalhava porque geria a casa e, portanto, uma mulher cheia de competências que volta com sucesso, ao fim de uns quinze anos, para o mundo das companhias americanas de advogados. O marido um político e traste, que ela vai perdoando, está preso acusado de corrupção e como se isso não fosse suficiente e realista, envolvido num escândalo sexual (qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência). Em abono da verdade confesso que me dessinteressei rapidamente, claro que há semelhanças mas ainda não é a nossa realidade: a dos polígrafos, empresas privadas de adopção, boas mulheres e maus maridos (ah, isto sim!)...políticos presos (ah, isto até seria bom, um pouco de moralização às vezes escasseia e até chateia! E a propósito).
Bem mas para concretizar este meu intento claro que gravei a série toda, até Fevereiro, mas confesso que só vi uns doze episódios (dias de insónia e agitação), mas felizmente tive a lucidez de gravar outras séries.
E há de facto  séries que são mais eficazes não só no combate à insónia (sim, quem trabalha até à meia-noite sofre deste mal...) mas também no reforço de sentimentos de pertença ao mundo real da (dis)função social, há pelo menos 20 anos.
Para mim mudou tanta coisa desde então, e isso foi fundamental, mas há outras que eu espero que nunca mudem...ou terei de tomar um drunfo qualquer. Confesso que este ano quase me tornei uma normalóide, mas ainda não foi desta...resta-me o consolo de ter um tema para falar com adolescentes, "Os Simpsons".

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Depois dos americanos os ingleses

O Alentejo está na moda, todos sabemos, não só pelo vinho, mas principalmente pela genuinidade, tranquilidade e beleza que oferecemos a quem nos visita.
Sim! Fazemos a diferença! (podemos sempre interpretar esta diferença em dois sentidos, e, portanto, com algum relativismo)
O Alentejo cativou nos últimos anos jornalistas americanos, como já tinha assinalado
 há uns meses atrás, que nos tiraram bem o "retrato".
As notícias deste fim-de-semana são boas para a promoção turística da nossa região. Para colocar também o norte alentejano no mapa, que fica a um bom par de quilómetros de Beja (é só consultar o viamichelin), uma boa rede de transportes pode ser decisiva. Mas enquanto nuestros hermanos já preparam a futura plataforma de Badajoz para a Alta Velocidade, "nós" decidimos abrandar e até comprometer mais um projecto que pode ser decisivo não só para a nossa economia local, como alguns consideram em relação ao turismo, mas para a sobrevivência de uma das maiores regiões do território nacional.

 

domingo, 22 de maio de 2011

Dia Santo


Hoje como boa cristã fui à praia, Domingo é dia santo e como já dispensei a missa há alguns anos encontrei um ritual alternativo que é, ao mesmo tempo, bastante terapêutico. Podia chamar-lhe talassoterapia, ou terapia da flutuação, mas não (não estou sempre em terapia), prefiro que seja uma reconciliação comigo.
A praia não podia ser mais perfeita, a Comporta, tem tudo o que é espirituoso e espiritual: Alentejo, sol e mar sem ondas! A água é limpída, tem uma temperatura fantástica e, hoje, parecia uma lagoa...assim pude ficar ali a flutuar..a flutuar...até ficar tonta com aquele doce embalar! Para agreste já basta o dia-a-dia...
Porque hoje era dia de pensar em mim, aproveitei para me retirar e pari um sonho...
Ao chegarmos à Comporta fomos obrigados a fazer um desvio para a Carrasqueira, fiquei deslumbrada com as cabanas, já conhecia as do Carvalhal e do Pêgo, mas a Carrasqueira pareceu-me ainda mais especial...
Talvez porque no meu intímo vieram-me à memória as imagens de "Água e Sal" de Teresa Villaverde, pensei que aquela cabana seria o refúgio perfeito para (re)escrever a minha tese daqui a um ano. As imagens mais marcantes desse filme são: uma relação num impasse, os sonhos não vividos, a incerteza do futuro e um passado muito feliz, as coincidências como o meu presente são algumas.
Ah, uma crise de criatividade, que espero seja a única semelhança com "Água e Sal" daqui a um ano.
E se eu precisava de me refugiar... sinto que seria agora o momento!
Só tenho medo que daqui a um ano seja demasiado tarde, e que o meu refúgio, pensando noutra ficção que me marcou profundamente, venha a ser o Bosque Éden, com realização do excêntrico e polémico Lars Von Trier, no qual me verei transformada no Anticristo.
Por enquanto prefiro duvidar de tudo, até porque hoje, tive uma inspiração divina!


sábado, 21 de maio de 2011

Saúde e Protecção Social




A saúde tem uma importância vital nas nossas vidas parece bastante óbvio, mas que as situações de envelhecimento, doença crónica e dependência podem deixar-nos mais vulneráveis à pobreza não será assim tão evidente...
São significativas as diferenças entre os idosos dependentes com doença crónica e os jovens ou trabalhadores acidentados? Perguntaram-me ontem, quando apresentei o meu projecto de investigação...não procurarei as respostas por este caminho. As diferenças podem não ser significativas se se tratar do jovem a recibos verdes e sem qualquer suporte familiar, pois a sua vulnerabilidade aumenta. O que reforça a importância de sistemas fortes de saúde e protecção social.
A equação Saúde-Protecção Social=Pobreza parece fazer algum sentido, ou seja, passar por uma situação de doença e não ter um bom sistema de protecção social pode conduzir a uma perda considerável de recursos financeiros e ao empobrecimento.  Esta equação pode ser melhor clarificada a partir do conceito de Iatrogenic Poverty, ainda que aplicado a sistemas diferentes do português.
Pode ser um ponto de partida para conhecermos o impacto que um bom sistema de saúde e, também, de protecção social podem ter no combate à pobreza, até porque o discurso da austeridade e dos cortes orçamentais ganhou vida própria e ameaça querer cortar a torto e a direito, mesmo no essencial.
O momento político actual convida a uma reflexão sobre a importância das políticas públicas na saúde e ao seu impacto em diferentes grupos e, portanto, fases da vida.
Os Cuidados Continuados podem ser um bom exemplo de diversidade das respostas sociais em saúde que, a partir dos dois sistemas, garantem um apoio de qualidade aos idosos mais dependentes e com doença crónica e prevenindo eventuais situações de empobrecimento face à doença, é esta pelo menos a minha perspectiva.
Continuo por enquanto motivada para investir num estudo sobre o impacto dos cuidados continuados neste grupo...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Indulgência

O cão que ladrava sempre à mesma hora
E as damas que dormiam serenas nos seus latidos
Criaram tantos afectos que não mais...
Voltariam a odiar os outros;
Amai os que não têm pão, casa,
Igreja, partido, carinho e carícias...
Os sem-amor, os mal-amados e os frustrados!
E eu quem amo?
A todos...os que não conheço.
Desde então é como se
As convenções e as emoções
Não mais se separassem.
Por isso choro.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Afinal o que querem as mulheres?


Este anúncio pode dizer muito sobre algumas mulheres mas muito pouco sobre outras tantas, claro que é preciso compreender o contexto: anos 80 e USA. Isto tudo a propósito de um programa de rádio (O amor é...) que ouvi este fim-de-semana e que me deixou um tanto ao quanto incomodada. No programa, Júlio Machado Vaz dizia que algumas mulheres estão infelizes numa relação mas o que as mantém nessa relação infeliz é o nível de conforto que têm...por sua vez os homens tendem a empenhar-se mais em dar conforto do que no carinho e afecto, rematava o nosso interlocutor nas suas sábias palavras.
Já que os anos 80, 90 e até a primeira década do Séc. XIX passaram não é tempo de pensarmos no essencial e aprendermos duma vez por todas a viver na dita sociedade do consumo, estabelecendo como prioridade aquilo que é mais importante, o contrário é o pão nosso de cada dia mas porque o escolhemos como tal, sim somos nós que escolhemos: o vazio, a ansiedade, a solidão e a angústia.

Eu que adoro anúncios televisi
vos ( mas felizmente como faço terapia diária anti-consumo tenho só mais uma boa desculpa para não ver TV) achei este perfeito! Tem todos os ingredientes um bom realizador, uma mulher linda e claro uma música que eu adoro, da Nina Simone.
Ah, e um dos poucos sítios que eu adoraria conhecer nos US.

domingo, 15 de maio de 2011

Música

Esta vai animar o meu estudo...Podia ser "Queixas de Um Utente", que é sem dúvida uma das minhas preferidas, mas estou cansada de lamentações...e de queixas de utentes também!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Triunvirato ou Troika?

No primeiro debate televisivo para as próximas eleições as diferenças foram evidentes, pelo menos para mim que até prefiro, e face à crise, uma apreensão mais pragmática dos discursos. Assim se o triunvirato tem a sua génese no império romano e a troika encontrou o seu auge no estalinismo soviético ...aqui encontramos diferenças. Se o estudo da linguística se aplicasse a Portugal e aos discursos políticos (até e principalmente aos hegemónicos), como propõe George Lakoff  a análise seria bem mais complexa e científica.
O debate pode ter deixado muito a desejar em relação às propostas quanto ao futuro governo de Portugal...
e sim, a pobreza empobrece a própria política...tal como ameaça a participação e a democracia.
Perdi o debate de ontem porque estava a trabalhar, mas vou continuar atenta!
No programa prós e contras, na passada segunda-feira, alguém referiu e eu consegui captar (porque tenho mil e uma tarefas enquanto oiço estes programas... ) que um dos partidos tem um programa com 120 páginas, se todos forem assim, ou alguém me faz uns sumários executivos dos programas ou não faço mais nada até dia 5 de Junho....

domingo, 8 de maio de 2011

Boa comida, bom futebol e muita história!



O Presidente da Câmara Municipal de Cascais apresentou este vídeo e as Conferências do Estoril deste ano conseguiram dar que falar, para o bem e para o mal.
Este vídeo resume em seis minutos os motivos para o orgulho da nação, pelo menos sê-lo-ão para alguns... mas será que mais uma vez o prestígio de Portugal no presente só passa pelo futebol? Não seria melhor pensarmos sobre isto?
Os finlandeses já responderam, parece que têm mulheres bonitas e respeitam os seus direitos, afinal vou me mudar é para lá...Sou portuguesa e também já perdi a modéstia....só não queria era perder o orgulho.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Há vida em Marte?

Porque se houver, vou-me mudar para lá!
Como boa marciana e por muito que me tente conectar com os terráqueos não está a ser fácil....
Hoje ao tentar fazer a minha ligação matinal ao grande irmão, salta-me pela rádio uma voz familiar que anunciava o fim das negociações com "o mais citado" e entre um i-qualquer coisa, cortes e aumentos, fui-me perdendo na paisagem da minha infindável paixão e paz, quente, solarenga e muito aromática. De repente liguei-me às suas cores fortes, ao verde, ao amarelo, ao branco e ao lilás. Só voltei a acordar quando ouvi um i-qualquer coisa, desta vez com um mi no fim, até porque o tópico me interessava. Entre as vacas que pastavam por ali, algumas aves que rapinavam e duas cegonhas, percebi por fim que por ali circulavam outros seres que, tal como eu, pensei: estaríam ou não concentrados no nosso interlocutor? "Hum, não me parece!" e desliguei novamente.
Na segunda tentativa de ligação ao mundo da realficção, desta feita já o sol estava e bem posto, decido espreitar a Terra e por cá tudo na mesma...ou melhor tudo de vento em pôpa! Graças, pasmem-se - ao Futebol. "Isto hoje está impossível!" Pensei, assim não aguento.  Para mim, que sou uma espécie de futebolofóbica, que à pála da Game Box fazia, na época passada, uma terapia de choque quinzenal em Alvalade (amor a quanto obrigas!) as sucessivas tentativas de auto-ajuda não estão a resultar. Prefiro ainda assim manter alguma convicção e sou, portanto, uma fã muito discreta do Benfica. Claro que tudo começou graças ao meu querido pai benficodependente, estes processos começam sempre com um trauma, que sempre que eu lhe pedia, ainda menina, para ir ver o Glorioso me respondia: "Aquilo não é para meninas...", facto que eu podia confirmar quando via no dia seguinte as cargas policiais na TV, esse posto de controlo (estou a falar dos anos 80 ainda estavamos em vias de...). Assim fui-me conformando com a minha condição, tendo no entanto e a propósito passado de benfiquista a feminista em três tempos. E entre sucessivas desilusões e uns quantos traumas (e alguns com consequências felizes que lançam desafios à Psicologia para, pelo menos, os próximos cem anos) optei por nem sequer arriscar a ligar a caixinha mágica nesse dia.
Mas aquilo que me interessa, no meio deste marasmo e de um dia de crucial importância para o país é como é que os meios de comunicação social fecharam o dia com a Vanglória do Futebol. E perceber a importância "pública" do futebol, ou melhor perceber o que queremos para o nosso futuro, como o pensamos ou estaremos tão parados na esfera política que só nos resta " Panem et circenses".  Por muito prestígio que o futebol dê ao país na Europa, porque temos duas equipas no final da liga e é caso para dizer, depois disto tudo, e em bom alentejano: Heeeicchhh! Ganda Coisa Esta!
Quem pagará esta conta?
Mesmo em vão deixo este apelo: volta troika e negoceia o fim do futebol para todos e todas as portuguesas.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dúvida



"Uma vida que não se questiona não vale a pena ser vivida." Sócrates
Há muitos séculos atrás faria sentido, mas num dia-a-dia com excessiva regulação e ao mesmo tempo desordem, ainda fará?
Quem é que nos nossos dias não procura a (a)normalidade da vida?
Quem é que questiona? E o quê?

domingo, 1 de maio de 2011

Trabalhadores Pobres, Uni-vos!

"Trabalharei por migalhas"


Porque uma boa imagem vale mais do que mil palavras. Se por um lado me ficou a imagem do 1º de Maio sem vivacidade, pelo menos fica a sensação de que o humor não perdoa a audácia gananciosa dos poderosos!
O próximo ganhou o primeiro prémio num concurso europeu... "Direito de Passagem"!






terça-feira, 26 de abril de 2011

Abril sem fim?

Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
Afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
Nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu, a ti o deves
Lança o teu
Desafio

Homem que olhas nos olhos
Que não negas
O sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
O nada disto custa
Será que existe
Lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
Na minha rota?

José Afonso

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Paixão

Esta quadra convida todos os católicos a uma aproximação com o divino. E eu sinto-me metade fora e metade dentro desta procura de aproximação, apesar de não me considerar ateia, vivo uma relação distante com a religião e ao mesmo tempo muito próxima com o divino.

Quando surgiram as grandes religiões a sua preocupação central foi fixarem-nos aos territórios, sendentarizando-nos. Em seguida o seu projecto para humanidade determinava que para sermos felizes para sempre a nossa alma devia separar-se do corpo, asim atingiría o divino. Para darem um sentido mais humano a este argumento criaram o pecado.
Para Saramago o pecado não existe e é um instrumento opressor criado pelas religiões, talvez concorde já que a existência de pecado subtraí-nos as nossas paixões, principalmente as da alma.
O Homem soube, no entanto, responder à opressão das religiões e inventou as paixões do corpo, para isso afastou-se do divino e centrou-se no corpo. A partir daí o conforto, a qualidade de vida, segurança, riqueza passam a ser a procura central do Homem já evangelizado.
A destruição da natureza é ilimitada, porque para muitos é um mal necessário, porque a sua divindade perdeu valor. Se sabemos que todos os povos não evangelizados tinham uma relação com a natureza enquanto divindade, porque nos fizeram esquecer isso? Porque é que isto não é matéria dos manuais escolares?
O facto é que tudo confluí para que assim seja, mas não podemos por isso deixar de reflectir sobre a natureza hoje mais do que nunca vivemos porque vivemos na Era do Homem.
photo: river Aghanashini Kumta , India

Hoje é o Dia da Terra, por isso oremos! Esta encontrei aqui, nunca estive na Indía mas já tive a experiência, simplesmente divina, de caminhar na selva da Sumatra e...encontrei esta divindade!




quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sem limites

O sentido da arte é ilimitado ou é a criação artistíca que não tem limites?

Para Nadir Afonso o sentido da arte encontra-se na indissocibilidade entre a mobilização, por vezes inconsciente, da técnica, a partir do estudo matemático e da geometria, e a representação da vida humana e social. É nesta simbiose que o sentido da arte não pode ser, na sua perspectiva, uma figuração apenas do sentir do pintor.

"Ora, todo o conhecimento, (nomeadamente nas Artes), começa por uma observação sensorial e a sua ambição consiste em encontrar a lei normal (nomeadamente de expressão matemática) que o fundamente e justifique. A partir de tal objectivo, torna-se necessário afastar, essa oposição filosófica, intransigente a que assistimos nas Ciências da Natureza, entre o sujeito prático defensor da sensação e o sujeito teórico, defensor da razão." (Afonso)

Valorizando por um lado a arte e por outro a técnica e o estudo apurado, Nadir Afonso constrói um sentido para a arte enquanto estética da própria vida humana, nesta a razão prática e a razão teórica são indissociáveis.
Eu questiono-me se este poderá ser um bom ponto de partida para pensarmos o Serviço Social enquanto arte (tema em voga nos seminários de doutoramento), mas podemos encontrar no pensamento de Nadir Afonso uma afirmação que pode clarificar uma das limitações do próprio Serviço Social,
"Como vemos, para uns é a observação prática que cria problemas, erros e preconceitos, para outros é o pensamento teórico. Para uns são os sentidos que nos desorientam, para outros são as especulações de intelecto…
Ora o facto de privilegiarmos quer a observação prática quer o pensamento teórico não deve ser encarado como uma grandeza de espírito do sujeito, mas como um defeito e uma limitação." (Afonso)

Tornei-me uma entusiasta seguidora do trabalho deste pintor, recentemente, despois de visitar a exposição que apresentou no ano passado, no Museu do Chiado.
Para meu regozijo esta exposição, sob o formato de restrospectiva, abrangia todas as fases da sua longa trajectória.
Tendo neste percurso integrado o grupo de pioneiros dos estudos intitulados "Espacillimité", que imprimiram uma noção de movimento à pintura, destacando-se entre outras obras a seguinte obra, visionável a partir daqui. Esta exposição incluia no final uma sala toda dedicada à fase das cidades, confesso que gostava de ver uma exposição do pintor só dedicada a esta fase e que incluísse o maior número de obras produzidas sobre as cidades.

Recentemente visitei a exposição "Absoluto" no Museu da Presidência, o que mais me impressionou foi a reprodução de uma peça das "cidades" numa Tapeçaria de Portalegre, sublime!

Imperdível a retrospectiva até 19 de Junho de 2011, no Centro Cultural de Ílhavo.
Para quem não tem tempo resta o mais positivo da tecnologia para ver com atenção!

domingo, 17 de abril de 2011

O tempo

A senhora afastava-se em fato de banho ao longo da piscina e quando se encontrava a quatro ou cinco metros do professor de natação, virou a cabeça na direcção dele, sorriu-lhe, e fez-lhe sinal com a mão. Fiquei com o coração apertado. Aquele sorriso, aquele gesto, eram de uma mulher de vinte anos! A mão como que voara com uma ligeireza encantadora. Como se, por brincadeira, ela atirasse ao amante um balão de muitas cores. O sorriso e o gesto cheios de sedução, ao passo que o rosto e o corpo já nada de sedutor tinham. Era a sedução de um gesto afogado na não-sedução de um corpo. Mas a mulher, embora devesse saber que deixara de ser bela, esquecera-o nesse instante. Numa certa parte de nós mesmos, todos vivemos para além do tempo. Talvez só tomemos consciência da nossa idade em certos momentos excepcionais, permanecendo sem-idade a maior parte do tempo.

Este excerto de "A Imortalidade" de Milan Kundera fez-me pensar se a sua Agnès também poderia ser a protagonista deste excerto: 

Ontem pedi que o tempo parasse, mas apressaste-te a responder-me que não podemos parar o tempo, “porque o mundo ficava todo parado!”. Tinhas razão porque a tecnologia ainda não permite parar o tempo e muito menos as pessoas.
Mas, meu querido…deixa-me dizer-te que o mundo tem vários tempos, a medição do tempo é só uma invenção do nosso mundo civilizado. Esse tempo serve de referência no nosso dia-a-dia para aquilo que planeamos. Mas nós não planeámos nada disto, será que já conseguimos parar um tempo?
Ou melhor, como podemos viver o nosso tempo?

E é aqui que eu respondo: "O nosso tempo é o que fizermos dele!"

Nadir Afonso, disponível em http://www.nadirafonso.com/