A Condição Humana. A natureza, as artes, as mulheres e também...os homens.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Paixão

Esta quadra convida todos os católicos a uma aproximação com o divino. E eu sinto-me metade fora e metade dentro desta procura de aproximação, apesar de não me considerar ateia, vivo uma relação distante com a religião e ao mesmo tempo muito próxima com o divino.

Quando surgiram as grandes religiões a sua preocupação central foi fixarem-nos aos territórios, sendentarizando-nos. Em seguida o seu projecto para humanidade determinava que para sermos felizes para sempre a nossa alma devia separar-se do corpo, asim atingiría o divino. Para darem um sentido mais humano a este argumento criaram o pecado.
Para Saramago o pecado não existe e é um instrumento opressor criado pelas religiões, talvez concorde já que a existência de pecado subtraí-nos as nossas paixões, principalmente as da alma.
O Homem soube, no entanto, responder à opressão das religiões e inventou as paixões do corpo, para isso afastou-se do divino e centrou-se no corpo. A partir daí o conforto, a qualidade de vida, segurança, riqueza passam a ser a procura central do Homem já evangelizado.
A destruição da natureza é ilimitada, porque para muitos é um mal necessário, porque a sua divindade perdeu valor. Se sabemos que todos os povos não evangelizados tinham uma relação com a natureza enquanto divindade, porque nos fizeram esquecer isso? Porque é que isto não é matéria dos manuais escolares?
O facto é que tudo confluí para que assim seja, mas não podemos por isso deixar de reflectir sobre a natureza hoje mais do que nunca vivemos porque vivemos na Era do Homem.
photo: river Aghanashini Kumta , India

Hoje é o Dia da Terra, por isso oremos! Esta encontrei aqui, nunca estive na Indía mas já tive a experiência, simplesmente divina, de caminhar na selva da Sumatra e...encontrei esta divindade!




quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sem limites

O sentido da arte é ilimitado ou é a criação artistíca que não tem limites?

Para Nadir Afonso o sentido da arte encontra-se na indissocibilidade entre a mobilização, por vezes inconsciente, da técnica, a partir do estudo matemático e da geometria, e a representação da vida humana e social. É nesta simbiose que o sentido da arte não pode ser, na sua perspectiva, uma figuração apenas do sentir do pintor.

"Ora, todo o conhecimento, (nomeadamente nas Artes), começa por uma observação sensorial e a sua ambição consiste em encontrar a lei normal (nomeadamente de expressão matemática) que o fundamente e justifique. A partir de tal objectivo, torna-se necessário afastar, essa oposição filosófica, intransigente a que assistimos nas Ciências da Natureza, entre o sujeito prático defensor da sensação e o sujeito teórico, defensor da razão." (Afonso)

Valorizando por um lado a arte e por outro a técnica e o estudo apurado, Nadir Afonso constrói um sentido para a arte enquanto estética da própria vida humana, nesta a razão prática e a razão teórica são indissociáveis.
Eu questiono-me se este poderá ser um bom ponto de partida para pensarmos o Serviço Social enquanto arte (tema em voga nos seminários de doutoramento), mas podemos encontrar no pensamento de Nadir Afonso uma afirmação que pode clarificar uma das limitações do próprio Serviço Social,
"Como vemos, para uns é a observação prática que cria problemas, erros e preconceitos, para outros é o pensamento teórico. Para uns são os sentidos que nos desorientam, para outros são as especulações de intelecto…
Ora o facto de privilegiarmos quer a observação prática quer o pensamento teórico não deve ser encarado como uma grandeza de espírito do sujeito, mas como um defeito e uma limitação." (Afonso)

Tornei-me uma entusiasta seguidora do trabalho deste pintor, recentemente, despois de visitar a exposição que apresentou no ano passado, no Museu do Chiado.
Para meu regozijo esta exposição, sob o formato de restrospectiva, abrangia todas as fases da sua longa trajectória.
Tendo neste percurso integrado o grupo de pioneiros dos estudos intitulados "Espacillimité", que imprimiram uma noção de movimento à pintura, destacando-se entre outras obras a seguinte obra, visionável a partir daqui. Esta exposição incluia no final uma sala toda dedicada à fase das cidades, confesso que gostava de ver uma exposição do pintor só dedicada a esta fase e que incluísse o maior número de obras produzidas sobre as cidades.

Recentemente visitei a exposição "Absoluto" no Museu da Presidência, o que mais me impressionou foi a reprodução de uma peça das "cidades" numa Tapeçaria de Portalegre, sublime!

Imperdível a retrospectiva até 19 de Junho de 2011, no Centro Cultural de Ílhavo.
Para quem não tem tempo resta o mais positivo da tecnologia para ver com atenção!

domingo, 17 de abril de 2011

O tempo

A senhora afastava-se em fato de banho ao longo da piscina e quando se encontrava a quatro ou cinco metros do professor de natação, virou a cabeça na direcção dele, sorriu-lhe, e fez-lhe sinal com a mão. Fiquei com o coração apertado. Aquele sorriso, aquele gesto, eram de uma mulher de vinte anos! A mão como que voara com uma ligeireza encantadora. Como se, por brincadeira, ela atirasse ao amante um balão de muitas cores. O sorriso e o gesto cheios de sedução, ao passo que o rosto e o corpo já nada de sedutor tinham. Era a sedução de um gesto afogado na não-sedução de um corpo. Mas a mulher, embora devesse saber que deixara de ser bela, esquecera-o nesse instante. Numa certa parte de nós mesmos, todos vivemos para além do tempo. Talvez só tomemos consciência da nossa idade em certos momentos excepcionais, permanecendo sem-idade a maior parte do tempo.

Este excerto de "A Imortalidade" de Milan Kundera fez-me pensar se a sua Agnès também poderia ser a protagonista deste excerto: 

Ontem pedi que o tempo parasse, mas apressaste-te a responder-me que não podemos parar o tempo, “porque o mundo ficava todo parado!”. Tinhas razão porque a tecnologia ainda não permite parar o tempo e muito menos as pessoas.
Mas, meu querido…deixa-me dizer-te que o mundo tem vários tempos, a medição do tempo é só uma invenção do nosso mundo civilizado. Esse tempo serve de referência no nosso dia-a-dia para aquilo que planeamos. Mas nós não planeámos nada disto, será que já conseguimos parar um tempo?
Ou melhor, como podemos viver o nosso tempo?

E é aqui que eu respondo: "O nosso tempo é o que fizermos dele!"

Nadir Afonso, disponível em http://www.nadirafonso.com/

terça-feira, 29 de março de 2011

Manifestem-se

Será que tudo o que ultimamente se tem dito sobre as sucessivas gerações que conduziram o país a esta crise ficará sem resposta?
Vejamos:
 A “Rasca” conheço bem, porque é a minha, mas com esta adjectivação, vá-se lá saber bem porquê, nem concordo ou melhor nunca concordei! Só porque três jovens decidiram mostrar “a bunda” ao Sr. Ministro da Educação, para assim manifestarem a sua indignação com a reforma educativa, ficámos todos condenados à mediocridade? Mas era uma geração que protestava nos sítios e nos momentos certos, apesar dos imponderados meios…
A geração que desenrasca merece mil louvores, sem ela o que seria de nós? Queridos pais, mães e até avós de todo o país a todos vós, um sentido e sonoro: OBRIGADA! A esta geração têm também apontado o dedo, foi injustamente responsabilizada quer pelos excessivos mimos aos filhos quer pelo “buraco” nas contas públicas. Mas esta é a mais sábia das gerações, a que responderá oportunamente.
Da geração à rasca pouco saberei dizer, com ela convivo diariamente e também com ela me poderia identificar. Não creio que esta seja a geração do umbigo que empunha singelas folhas A4 com as suas demandas individuais, nem a geração apática e passiva que “alguém” pôs à rasca. Mas estará esta geração à deriva, ou melhor, terá as competências necessárias para navegar à bolina?
A geração do desenrasca que é mais discreta, pois não protesta e nem sei se votará, é aquela que a cada nova década tem conseguido reinventar-se. Esta espécie é um subtipo que degenerou doutras e também da minha geração. Com esta(s) convivemos há muitos anos, mas sob a sua forma mais moderna tornou-se na geração que fareja o queijo e para lá chegar não olhará a meios o que resulta efectivamente não numa lógica geracional mas na existência de subtipos dentro de uma mesma geração, a partir do anunciado triunfo do individual sobre o colectivo. Inspirados no “Quem mexeu no meu queijo?” ou noutro best-seller americano qualquer, desde que possua a chave não só para a garantia de lucros como da própria felicidade (O que para eles são variáveis dependentes), TUDO farão para manter TUDO na mesma!
E nestes dias tão cinzentos, os dias do realismo puro, soube-me bem ler um pequeno manifesto “Indignai-vos” de Stéphane Hessel, pela maneira como pude rever alguns dos meus anseios e sobretudo encontrar caminhos, assim, é a esperança o que mais gostaria de ver partilhada pelas gerações. O que pode unir uma geração ou até várias é realmente a esperança num futuro melhor e no futuro possível que podemos construir de mãos dadas, usando a forma e os meios certos. Se hoje acreditamos na democracia então não nos deixemos enganar porque a música já foi uma arma, mas felizmente foi substituída já há alguns anos por outra mais poderosa: o voto! No entanto a música será sempre um bom meio de consciencialização.
Ficam as palavras de Hessel e dos veteranos do Conselho Nacional da Resistência Francesa, no 60º aniversário do seu Programa:
“E é por isso que continuamos a apelar a «uma verdadeira insurreição pacífica contra os meios de comunicação de massas que só apresentam como horizonte à nossa juventude uma sociedade de consumo, o desprezo pelos mais fracos e pela cultura, a amnésia generalizada e a competição renhida de todos contra todos.» A todos aqueles e aquelas que irão fazer o século XXI, dizemos com afecto: «CRIAR É RESISTIR. RESISTIR É CRIAR.»”

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ser poetisa!

No Dia Mundial da Poesia vale a pena recordar uma Mulher Alentejana muito à frente do seu tempo...

Alma Perdida


Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente!
Alma de rouxinol, alma da gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou!

Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente…
Talvez sejas a alma, a alma doente
D’alguém que quis amar e nunca amou!

Toda a noite choraste… e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós!

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh’alma
Que chorasse perdida em tua voz!…

Florbela Espanca - Livro de Mágoas


Foi sem dúvida uma grande POETISA! (note-se que eu nasci em 1977, mas o que para mim é óbvio nem sempre foi assim). 

domingo, 20 de março de 2011

Porque perfeita é a Primavera...

Hoje esteve um dia fabuloso, daqueles que só nos apetece fazer um itinerário diferente dos dias e rotinas da semana.
À tarde ir às Portas do Sol tomar um café e apanhar sol, sol e mais sol, até ficar à sombra! A seguir, cabelos ao vento, Avenida e Marquês, estava de aproveitar porque hoje não havia manifs...
e para terminar este roteiro perfeito rumo ao Jardim do Palácio das Galveias para lanchar. Não foi por acaso que Lisboa foi considerada o melhor destino turístico na Europa, em 2010, foi e continuará a ser!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Wenders Forever

Em "The End of Violence" Wim Wenders apresenta-nos uma mistura quase explosiva de tecnologia, violência, vigilância e comunicação, sempre incisivo, real e incompassivo.
Aquilo que podemos perguntar é se os seus filmes transformam a realidade ou se a representam? Depois de um filme de Wenders nada fica como antes, por um lado o tabalho dele nunca nos deixa indiferentes porque aborda temas muito actuais como a violência, a desigualdade, a (des)humaninadade por outro lado a abordagem do realizador é paradoxal e mostra-nos diferentes verdades ou realidades. Ele é indubitavelmente um dos maiores do cinema actual e realizou um dos meus filmes preferidos (Asas do Desejo), para quem ama cinema não existe "o filme da minha vida".
Entre outras grandes obras também realizou "A Terra da Abundância", um filme que para mim é de ver e entranhar. Aquilo que alguns preferem estranhar ou o porquê de na América tudo abundar? Da riqueza à pobreza, da caridade à crueldade, um ensaio sobre esta fascinante democracia avançada.
Mas nas aventuras de Mr. Wenders, entre Lisboa, Havana e outras cidades, é Berlim a minha preferida, pelo seu simbolismo e é esta cidade que ele (re)apresenta no final da década de 80, em "As asas do desejo". E cinco estrelas é também a aparição e sonoridade de Mr. Cave and The Bad Seeds, quando o anjo encontra a trapezista.
Dos filmes ficam sempre as suas músicas, claro que não são só os filmes que são bons as bandas sonoras são do melhor. Do filme "The End of Violence" acompanha-me sempre esta...




sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O fim da melâncolia...ainda não!

São terríveis estes dias que antecedem a Primavera, já ouço passarinhos porque estou a ficar delirante, mas sobretudo apetece-me apanhar sol a sério, ou melhor calor!!!
Esta sensação melancólica pode nem ter nada a ver com a Primavera, nem com o Inverno (quem é que inventou as estações do ano?) Que desculpa mais disparatada para os estados de humor.
Podia ser o fim desta sensação, mas prefiro continuar hibernada, até porque me sinto mais confortável.
Mas hoje felizmente também tenho a sensação (só) que superei uma pequena etapa deste projecto em que me enfiei de pés e cabeça, ou dos pés para as mãos ou da cabeça para o coração, olhem que me atirei de cabeça, podia ser pior. Mas cheguei ontem à brilhante conclusão que esta enfiadela me vai afastar de outros projectos e outros mundos! Bem, paciência!

Este ano, para variar, perdi mais uma vez o Festival de Músicas do Mundo de Sines, mas curiosamente há anos que digo: É desta! Mas não aconteçe...nada. Ou quase nada porque este ano descobri a Yasmin Levy, através de uma transmissão em directo deste imperdível evento, na Antena 1, caso que me fez pensar, em voz baixa, o serviço público (ou para-público) ainda é fixe!




Mas vou ficar para aqui a matutar sobre esta mania que temos de adiar tudo o que "achamos" que nos faz mais felizes...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mar


Se me Perco no teu azul mais do que profundo?
E se no líquido das tuas vagas mergulho a minha loucura?
Só para encontrar o oxigénio nos teus lábios…e a sua essência? Procuro-a…
Quando estive em Porto Santo fiquei encantada com este azul do mar, como boa portuguesa nunca lhe fico indiferente. E neste cais um grupo de miúdos acabou por merecer o meu olhar atento. Os catraios mergulhavam com violência para este mar calmo, não percebi se porque sentiam saudades da agitação das ondas se confiavam excessivamente na sua aparente calma. Um deles acabaria de sair da água a sangrar do nariz, mas isso não foi impedimento para continuar a mergulhar. E pensei mais uma vez para comigo: é no absurdo que encontramos o sentido quotidiano da nossa humanidade até porque as lutas estóicas perderam valor.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Qual contrato social, qual carapuça…

"Duel avec gourdins" Goya. Museu do Prado.

 
Quanto mais conheço a Sociologia mais seduzida me sinto pela Filosofia.
Há uns anitos li pela primeira vez Michel Serres, “O Terceiro Instruído”, que me introduziu ao conceito de mestiçagem, que são as zonas de intercepção que produzem conhecimento útil, o que escapa muitas vezes quer aos teóricos quer aos práticos e que poderemos considerar o que se produz no mundo da vida, do quotidiano, e que não se repercute no mundo dos sistemas. Este conceito aplicou-o ao processo de aprendizagem, na área da educação, ou melhor da instrução como prefere.
Mas o que seria um fantástico mundo novo para a ciência (a social também) depressa se dissipou, pois o autor afiança que neste campo encalhámos na era cartesiana. O que, quanto a mim, não retira o mérito a todas as disciplinas que seguiram outros caminhos.
 Entretanto para responder às minhas inquietações sobre estado natural e social li recentemente “O contrato natural”. Neste livro Serres propõe a evolução do contrato social para um contrato natural. Para Serres o elemento fundamental que devemos incluir neste contrato é o mundo natural, porque o que o contrato social fez foi instrumentalizar a própria natureza. Mas esta é, sobretudo, uma visão que vai por outro caminho - o terceiro, que nos convoca a integrar homem e natureza. Não se trata do social e do natural no mesmo contrato, mas da defesa de um ambientalismo perdido.
Uma das minhas dúvidas sobre a “solidariedade” do contrato social é precisamente a existência do seu contrário, ou melhor se este não nos terá tornado reféns uns dos outros e num mundo de fracos e fortes este é o melhor resultado que conseguimos alcançar. Desde a retórica artificial dos Direitos do Homem à barbárie, encontra-se de tudo um pouco. Num mundo onde diariamente morrem milhares de seres humanos de forma violenta outros milhares gozam de um nível de conforto bastante razoável. Enquanto os primeiros procuram a sobrevivência os segundos respondem com indiferença. Todos humanos, mas nas suas humanidades.
Mas qual contrato?
Agora sinto-me mais tentada do que nunca a acreditar que aquilo que move o contrato social é a mesmíssima ordem de razões que move o mundo (ou melhor parte dele): não queremos acabar uns com os outros, queremos a paz, mas o melhor é fabricar umas armas não vá o diabo tecê-las. Que mundo! Ou melhor que sociedade! Mas até quando vamos precisar deste contrato social? A resposta parece que é clara….até o diabo querer!
Ainda bem que alguém como Serres saiu da auto-estrada neste mundo cada vez mais “lateralizado”!
"O Objectivo da instrução é o fim da instrução, ou seja, a invenção. A invenção é o único acto intelectual verdadeiro, a única acção de inteligência. O resto? Cópia, disfarce, reprodução, preguiça, convenção, batalha, sonho. Apenas ela suscita a descoberta. Só a invenção demonstra que se pensa verdadeiramente aquilo que se pensa, qualquer que seja essa coisa. (...) O fôlego inventivo resulta somente da vida porque a vida inventa." (Serres, 1997) 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Oooohhh, é Natal!



Uma da minha adolescência (uma banda claro, se fosse a música significava que estava tótó há muito, e que não fiquei assim só depois dos trinta)...agora a sério porque gosto muito e é Natal!

Infelizmente para muitos este é um tempo de hipocrisia, para mim de recordações...nostalgia...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Contra-Manifesto

Em tempo de pré-campanha eleitoral e como cidadã preocupada com os manifestos presidenciais (disponíveis), decidi ler os respectivos, e fiquei estarrecida com a total ausência de representatividade da mulher portuguesa e de uma reflexão, ainda que residual, aos indicadores lançados com regularidade para o “euroespaço” sobre as dimensões da igualdade de género em Portugal; que são, passados 36 anos de democratização e 24 de adesão, no mínimo diletantes, para não dizer que são efectivamente vergonhosos para o país.
Isto não seria relevante se não estivéssemos a falar da candidatura de quem garante e vigia o cumprimento dos artigos da CRP, simplificando, do instrumento que possibilita o reconhecimento da soberania e da legitimidade democrática de Portugal, para os portugueses naturalmente, mas não menos importante no panorama internacional.
Mas olhemos para história recente, se 10 anos após o 25 de Abril a condição feminina foi debatida e “batida” até à exaustão, no cenário pós-adesão fomos invadidos por centenas de preocupações políticas que acabaram por camuflar aspectos centrais e algumas garantias apostas na CRP de 74, designadamente a igualdade. Se este debate foi estéril foi porque não chegámos a nenhuma decisão “política” sobre a garantia de igualdade política, económica, social e cultural da mulher portuguesa, ou seja sobre a transversalidade da condição feminina.
E o que temos nós hoje?
Um plano nacional para a promoção da igualdade de género que se assume como um “ instrumento de políticas públicas de promoção da igualdade e enquadra-se nos compromissos assumidos por Portugal nas várias instâncias internacionais e europeias, com destaque para a Organização das Nações Unidas, o Conselho da Europa e a União Europeia.” (CIG) E leia-se no referido plano que uma das áreas estratégicas prevê “Integração da dimensão de género na Administração Pública, Central e Local, como requisito de boa governação”, por favor senhores/as só não me venham com quotas, porque eu diria é melhor ir às causas do que às quotas!
Dos actuais candidatos a PR nem uma palavra e apenas esparsas referências ao tema.
Assim na cena política actual resume-se (a igualdade de género) a compromissos assumidos…este, que se junta assim a mais uns quantos adereços…da cena política à portuguesa.
A igualdade de género tornou-se mais um adereço, podemos ver curtas referências, ou melhor duas curtas frases nos dois manifestos, assumidamente, mais à esquerda. Este adereço que tem perdido terreno no debate político, possivelmente em consequência da perda do seu brilho pós-revolucionário, para a causa ecológica, por exemplo, acessório central dos políticos de esquerda…e, note-se a ambiguidade, dos “senhores donos” da economia liberal.
As candidaturas à Presidência da República bem como o próprio cargo são então o último reduto de uma sociedade conservadora, político-virilizada e espantem-se…ainda extremamente PATRIARCAL e, por vezes, também paternalista, por reflectirem muito do que Portugal tem de melhor e pior no seu “território” político.
De melhor:
 O sentido de oportunidade dos cinco candidatos e a sua capacidade reflexiva, ao instituírem a CRISE como a CAUSA que justifica a oportunidade das suas candidaturas, para perceber isto basta ler atentamente todos os manifestos (ou ler apenas). Sabemos que o tema domina a cena política, mas a minha dúvida é: se por falta de imaginação se por ausência de convicção dos políticos? No entanto os mais imaginativos alegam outras causas, lá pelo meio, o combate à corrupção, a renovação e mudança. Eu pergunto para onde? Espanha?
A capacidade para camuflar o tabu, adiando assim o debate que para uns é radical e extremista. Para outros é só uma questão de costumes, ou melhor, pouco há a fazer, porque só não participa quem não quer…ou seja, o que havia a fazer está feito! Um dos manifestos refere a centralidade da família (eu já vi isto em algum lado, provavelmente numa vida passada) e a importância das medidas de conciliação da vida familiar sem sequer referir a situação específica da mulher portuguesa.
De pior:
O lema político de há umas décadas a esta parte: “À deriva chegamos lá!”, até porque a fé no devir e a ideia do “já chegámos aos quatro cantos do mundo” não pode ser contrariada com o lema: navegar, navegar é preciso! Ou seja, essa grande dificuldade: a ausência de estratégia a longo, médio e curto prazo. (não confundir esta ideia com outra de inspiração fascizante que defende que os ciclos políticos democráticos é que estragam tudo, que essa democracia cíclica é desnecessária e dispendiosa até!)
Bem mas eu disse o “último reduto” certo?
Se, de um lado, o meu olhar atento me permite concluir que grandes mudanças positivas aconteceram nos últimos anos ao nível da emancipação das mulheres portuguesas, é esse mesmo olhar crítico que me deixa preocupada em relação ao muito que ainda há a fazer, quando grande parte da mudança, creio, esteve e está nas nossas mãos, de todas e de todos!

E que fique claro que por tudo isto, a 23 de Janeiro, votar também conta! (Além do indispensável empenho, participação e mobilização)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cá dentro...lá fora

Quando vi o filme "Magnólia" pela primeira vez, não queria acreditar que as pessoas, desta comunidade humana, pudessem ser tão superficiais, mesquinhas, cínicas e enfim absurdas! Não queria acreditar no “absurdo” das relações humanas, ou melhor agora sei que não entendia isto muito bem porque na altura só compreendia melhor aquilo que queria ver e sentir, sabia fazer ESCOLHAS…
Vivia mais centrada em mim, menos pressionada pelo “nós” e enfim, até mais feliz apesar de menos consciente e até menos racional.
Este verão dediquei algum tempo a conhecer melhor a obra de Camus, já não fiquei tão impressionada com a contingência das relações humanas. Oh, sim! Agora, sim! Estou quase convencida que o mundo é mesmo este.
Ainda assim continuamos sempre à procura de um equilíbrio e de uma vida que acreditamos ser menos ABSURDA.
Quando ouvi esta interpretação no Festival de Jazz de Portalegre, há cerca de três anos, percebi que o que mais impressiona é a sua composição musical, que se tornou mais perceptível expressa pelas mãos de um ainda jovem, mas grande, pianista (o Júlio Resende, claro!).
Gosto muito por ser daquelas músicas que servem mesmo para “nos”sentirmos… profundamente...

domingo, 28 de novembro de 2010

Belezas de cá...silêncio e paz!

Por aqui temos belezas assim...


Em Novembro do ano passado um jornalista do NY Times narrava a beleza do Alto Alentejo, comparando esta região com a Toscana dos anos 70, pela tranquilidade, tradições e património que ofereçe a quem a visita. Como podem ver aqui http://travel.nytimes.com/2009/11/08/travel/08next.html?scp=1&sq=Alto%20Alentejo&st=cse
Este ano saiu um novo artigo sobre a região "The slow lane", em Maio, que também está disponível.

Como constrangimento ao Turismo, e a qualquer actividade económica, temos o problema dos transportes que o TGV poderá resolver, mas apenas parcialmente, outro problema, quanto a mim mais grave, que impede a (re)activação económica  da nossa região é a inexistência de instâncias político-administrativas suficientemente autónomas para baterem o pé quando é preciso, e se isso já foi tão necessário...Tanto, que está quase a terminar o prazo, Sim, porque nos compassos da política tudo tem um prazo ou não seria estratégico, certo?
Já que os FEDER, FSE e afins, ou melhor, nem a adesão nem a governação nos últimos 30 anos têm investido o suficiente ou pelo mesnos sido clarividentes para projectarem a Região, que nos valham os americanos! Bem hajam os que nos visitam!
Outro problema menos significativo, marca da velha lógica/ideológica do "Lisboa é Lisboa e o resto é paisagem!", poderá ser o facto de uma grande percentagem de portugueses da GL e outras "cities" que há na Lusitânia nunca ter pisado estes belos campos e pernoitado nas suas estalagens!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Relax com Lula Pena


Grandes dias, grandes revelações.
Hoje, especialmente hoje e para relaxar, um som português (para variar) apesar de pouco (re)conhecido é muito bom, para quem gosta tanto como eu.
É portuguesa, sim, de Lisboa. É fado? É. Assim, assim.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mais um grito de revolta! FMI!

Hoje não sei porquê, mas tive mesmo vontade de ouvir José Mário Branco, porque será???

Esta música de 79, está tão actual. Os culpados?? Cita-os todos...

Estamos fartos de papagaios...propaganda...grandes irmãos...
Estamos fartos...
Sempre os mesmos...
A falta de vontade..

Há alternativas, há sempre uma saída...saídas!

José Mário Branco - FMI (ao vivo/audio) parte 2

José Mário Branco - FMI (ao vivo/audio) parte 1

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Teatro na Prisão

O reconhecimento do eu pressupõe um trabalho que pode passar pela expressão dramática, ao possibilitar o sentir e expressar de diversas formas os mesmos sentimentos, até então apaziguados, quantas vezes da pior maneira, o teatro permite também sentirmo-nos úteis e criarmos canais de comunicação.
O documentário “Shakespeare Behind Bars”(Hank Rogerson e Jilann Spitzmiller) revela-nos que os reclusos são bons actores, através da preparação e ensaio da peça “A tempestade”, os reclusos vão-se identificando com os personagens, vão reconhecendo porque cometeram um crime e perceber o que podem fazer para voltar à sociedade.
A prisão de Luther Luckett no estado americano de Kentucky, é um exemplo de excelência na reinserção de reclusos, o programa teatral faz parte dos programas educativos. Por cá passou recentemente um pequeno documentário na televisão, no programa Linha da Frente: “Presos ao Palco”, sobre o teatro na prisão.
O trabalho voluntário do encenador é extraordinário, ao referir que não está ali para julgar os reclusos, pois estes já foram julgados pela sociedade e pelos tribunais. Para ele, Shakespeare está mais actual do que nunca porque permite trabalhar o comportamento humano na sua totalidade, as fraquezas, as forças, o bom, o belo, o gentil, a ternura, a generosidade, mas também o mau, medíocre, lamentável, enfim o crime, tão humano e tão imperfeito…
Entre a vingança e a virtude? Qual o melhor caminho a revolta ou a redenção?
Os dois diríamos…