A Condição Humana. A natureza, as artes, as mulheres e também...os homens.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O Teatro na Prisão

O reconhecimento do eu pressupõe um trabalho que pode passar pela expressão dramática, ao possibilitar o sentir e expressar de diversas formas os mesmos sentimentos, até então apaziguados, quantas vezes da pior maneira, o teatro permite também sentirmo-nos úteis e criarmos canais de comunicação.
O documentário “Shakespeare Behind Bars”(Hank Rogerson e Jilann Spitzmiller) revela-nos que os reclusos são bons actores, através da preparação e ensaio da peça “A tempestade”, os reclusos vão-se identificando com os personagens, vão reconhecendo porque cometeram um crime e perceber o que podem fazer para voltar à sociedade.
A prisão de Luther Luckett no estado americano de Kentucky, é um exemplo de excelência na reinserção de reclusos, o programa teatral faz parte dos programas educativos. Por cá passou recentemente um pequeno documentário na televisão, no programa Linha da Frente: “Presos ao Palco”, sobre o teatro na prisão.
O trabalho voluntário do encenador é extraordinário, ao referir que não está ali para julgar os reclusos, pois estes já foram julgados pela sociedade e pelos tribunais. Para ele, Shakespeare está mais actual do que nunca porque permite trabalhar o comportamento humano na sua totalidade, as fraquezas, as forças, o bom, o belo, o gentil, a ternura, a generosidade, mas também o mau, medíocre, lamentável, enfim o crime, tão humano e tão imperfeito…
Entre a vingança e a virtude? Qual o melhor caminho a revolta ou a redenção?
Os dois diríamos…
 


sábado, 23 de outubro de 2010

Resistência

Um clássico da liberdade e da libertação. Para relaxar...

"Só somos pequenos quando nos obrigam a ajoelhar"

Valha-me o DOC!

Num momento de pura escravatura mental valha-me o DOCLISBOA para perceber, olhar e acreditar que é possível um mundo melhor. Subscrevo as palavras de Sérgio Tréfaut, o director do festival, que salientou a importância do cinema documental para a compreensão do real tendo desafiado os directores de programação dos canais de televisão a dedicarem-lhe "algum" do seu tempo de antena.

Agora só me resta ter esperança na inclusão deste género nos canais televisivos, ao lado de futebóis, touradas, julgamentos e "politicadas" ou esperar pela caixinha mágica e interactiva que nos permitirá a liberdade de clicar no que mais apreciamos.

O real é o mundo à nossa volta que insistimos em ignorar, em deitar fora como se fosse lixo,  preferindo ver o que é light, pink, in, gloss, glam, slow e enfim…uma parafernália de ilusões e visões parciais do mundo, que nos trazem a felicidade de dia e nos atormentam à noite.

Esta semana vimos “Le Bâteau en Carton”, um documentário excelente sobre a situação das comunidades ciganas da Roménia, em França. Focado nas suas esperanças, na mendigagem e na sua resistência que é muitas vezes a subsistência, o realizador conseguiu mostrar a sua razão de ser. A sua ligação ao imaterial, ao efémero, à felicidade e ao vento, fê-los contentarem-se com a natureza, com os excessos e os desperdícios de uma sociedade consumista, da qual muitos se afastaram mas outros tantos procuram.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Vamos Olhar a Pobreza e não culpar os pobres!


A propósito do dia Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social estivemos a (re)ver “Rosetta”(Jean-Luc e Pierre Dardenne), um filme de 99, cuja acção decorreu no centro da União Europeia (Bruxelas) quando ainda não havia moeda única. Mas tudo isto é acessório se compreendermos que o essencial é a sua actualidade.
A partir do cinema independente podemos repensar a pobreza e até reflectir sobre conceitos associados à exclusão social. Este trabalho dos irmãos Dardenne, mergulha-nos no realismo do quotidiano de uma Jovem, que luta pela sua sobrevivência e principalmente por um emprego, com uma força contundente e por vezes comovente, mas sempre na solidão.
Relevante neste filme é a inexistência de referências à dependência de subsídios e às instituições que alimentam essa dependência, por serem estereótipos muito associados a este fenómeno. Em oposição a exclusão social é-nos apresentada como uma instância de luta, sendo central a resistência quase heróica desta jovem mulher às categorias de pobre, assistida, “mendiga” e excluída.
Agora que passámos para o outro lado ficaram várias questões para o debate: Qual a importância dos suportes e das redes sociais? O que sabemos e o que não sabemos sobre pobreza e exclusão social? O que sentem os pobres? E os excluídos?